Os tais formadores de opinião.

“Formador de opinião (FO) é uma pessoa que tem a capacidade de influenciar e modificar a opinião de outras pessoas nos campos político, social, moral, cultural, econômico, esportivo, alimentar, etc”

Isso é uma piada!

É patética essa realidade onde as pessoas simplesmente abriram mão de sua capacidade de raciocinar e se renderam a facilidade de opiniões ofertadas! Eu não sei de quem sinto mais pena; se é do formador de opinião que se sente como um “guia” cheio de razões e sabedoria, mas que cedo ou tarde será atormentado pelo peso da responsabilidade; ou do tapado que jogou o cérebro num liquidificador de futilidades e já não é mais capaz de pensar por si só, vivendo como uma marionette.

É certo que estes são tempos de extrema projeção social; todo mundo “têm” opinião sobre tudo, “sabe” de todo os detalhes, “conhece” todos os assuntos e defende “seus” ideais com unhas e dentes. Mas mesmo assim somos uma sociedade atrasada que nem sabe mais o que significa desenvolvimento. E a responsabilidade é de quem?


Vamos do início: opinião, ao contrário do que pensam, não significa verdade. Uma opinião é apenas um ponto de vista construído através da interpretação das informações que se obtém.

Lá no começo as pessoas obtinham as informações através do diálogo. Mesmo que já houvesse distorção da verdade de boca a boca, não era algo tão extremo e prejudicial para a formação individual de opinião.

Depois surgiram os meios de informação profissionais; jornais e revistas. A distorção da verdade vinha em modo de edição, mas recebiam um tanto mais de credibilidade. As opiniões eram formuladas dentro dessas edições, mas balanceadas com uma leve suspeita, afinal, lia-se ao invés de ver ou ouvir. A ênfase de um discurso não ecoa pelas linhas de uma publicação até surtir efeito na interpretação de quem lê.

Daí as coisas se modernizaram; correspondentes, televisão, satélites… E a informação transbordava para dentro das casas. E então começou a era da informação manipulada; não pense algo, pense isso!

Até aí, por mais lamentável que fosse, não era um drama absoluto. Havia a possibilidade de se questionar os “fatos” apresentados, pesquisar, confrontar e então formar uma opinião. As informação chegava cheia de edição, distorcida ou inverossímil e as pessoas duvidavam, pois ainda eram capazes de pensar e já nutriam a suspeita de manipulação por parte dos distribuidores de informação.

No entanto, as informações eram oferecidas de modo tão veloz e em tamanha quantidade que o espaço para processar tudo e se desenvolver uma opinião ficava cada vez menor. Mas as toneladas de informações que eram apresentadas não eram totalmente inventadas, ou seja, as coisas realmente aconteciam e se existe muita informação é por acontecer muita coisa. É um ciclo; muitos acontecimentos geram muita informação que gera menos tempo para processar. Esse “menos tempo” também tinha a ver com a falta de tempo das pessoas. Eis a oportunidade…

Por que desperdiçar tempo pensando/duvidando/questionando se já não há tempo pra quase nada? Uma hora lendo um jornal? Absurdo!

Mesmo assim, as pessoas sempre precisam se informar. Se a informação oferecida vem carregada de interrogações e exclamações, o jeito é engolir informações já mastigadas/pensadas/processadas cheias de pontos finais; não pense isso, pense assim.

Surge com isso uma falsa sensação de se estar informado e economiza-se tempo. É patético!

E é patético pelo simples fato de que basta haver a necessidade de se obter informações “reais” para que alguém, um candidato a concurso público por exemplo, deixe de lado os formadores de opinião e se dedique a leitura de jornais e revistas. É patético, pois salvo esses casos, as ovelhas adestradas defendem seus formadores mais queridos como donos máximos de toda a verdade sobre todas as coisas do mundo!

Tá, mas e daí? Qual é o problema?

No começo um formador de opinião é tão dedicado e cuidadoso quanto qualquer pessoa que inicia uma função. Mas se você já fica feliz com 100 curtidas numa foto e já pensa logo na próxima, imagine alguém recebendo 10.000 curtidas em um dia. Não demora muito para que esse formador de opinião fique mais interessado na quantidade do que na qualidade. E ao mesmo tempo em que isso acontece, do outro lado os carentes de opinião já se renderam em absoluto. Já não pensam, esperam pensamentos!

Imagine um formador de opinião frustrado com alguma coisa, possuindo 10.000 cabeças vazias a sua disposição. Por que você acha que empresas investem milhares de reais num formador de opinião? Porquê basta uma frase para se atingir o mesmo objetivo que 15 segundo na televisão!

Quantas vezes você já não viu gente seguindo modas ridículas só porque alguém influente apareceu numa foto usando uma roupa ou um acessório?

No caso da opinião é quase a mesma coisa. A diferença é que sair pela rua usando uma roupa estranha não causa tanto efeito quanto escolhas feitas sem pensar, comportamentos adotados sem consideração, discursos propagados sem consequências…

Dizem que “mente fazia é oficina do diabo”. Mas e uma mente adestradas, é o que?

Todos os dias surgem novas “fobias”, parafilias, tipos diferentes de preconceito, grupos com ideologias desconhecidas, gente reclamando de tudo como se nada nunca tivesse funcionado. Estão modificando o dicionário, inventando desculpas, atribuindo vitimismo à tudo como se a única solução para o caos que nos governam desde o tempo de Adão estivesse na mãos deles, os fantoches salvadores. Tiveram a capacidade de transformar Chico Buarque num machista… É sério isso? A falta de interpretação já chegou nesse ponto?

O funk depreciativo pode né? Claro, é divertido divertido!

E a coisa já está tão grave que já não há mais nada que se possa fazer a não ser esperar a inevitável revolução social que está prestes a acontecer e que não é nem um pouco parecida com o que profetizam os tais formadores de opinião.

Porque acredite, eles não estão construindo um futuro, estão apenas enchendo o tapume de cartazes!

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