Porque tudo que começa, acontece e termina.

Então é isso; aquele tão protelado momento finalmente rasgou a realidade do agora e se fez presente. É chegado o desencontro!

Mas o que é a vida senão uma coleção de ciclos que nos movimenta? Nós somos a própria confirmação destes ciclos. Veja só como já não somos mais os mesmos! E já que não se trata do fim da vida, o que está diante de nós é uma bifurcação. Continuaremos seguindo, mas por caminhos diferentes!

Já não seremos mais um com o outro, nos somando, nos envolvendo numa mesma sucessão de novos ciclos que estão por vir. Seremos agora apenas lembranças.

Talvez demore um pouco para que aceitemos a ausência. É certo que o ego (esse parasita caprichoso) irá nos encher de justificativas pseudo-urgentes, apenas para nos inflar do que não precisamos. Tentaremos encontrar respostas diferentes daquelas que já sabemos e talvez até sintamos raiva. Isso é lamentável, mas faz parte. Somos seres que apreciam a “posse” muito mais do que o aproveitamento do durante, fazendo o depois não ser nada além de abandono. Talvez seja uma falha de caráter da espécie humana; sentir-se abandonado antes de aceitar que a despedida acontece sempre grávida de novas oportunidades.

Talvez amanhã, ou um ano depois, tenhamos aquele start que faz tudo ter sentido. Aquele tipo de compreensão que transforma a ingrata saudade num mar de boas lembranças, indo e vindo como ondas pelas novas praias do nosso horizonte.

Lembrar é bom!

Sentir saudade também é bom, mas em casos assim, em que existem tantas teorias ofuscando a realidade, a saudade é um martírio. É aquele peso que se sente pelo vazio. É a venda que cega os olhos, é o dente que morde a língua, é o barulho que surda os ouvidos… A saudade que vai nascer dessa nossa despedida, vai esconder tudo que fizemos e ganhamos, deixando evidente apenas o que deixamos de fazer e o que poderíamos ter conquistado. E se houver apego e insensatez, no futuro, o nosso passado terá sido apenas perda de tempo.

E então, torcendo para o que é melhor, as lembranças irão chegar sem aviso, se aproveitando de um momento pelo qual já passamos juntos. Tente saborear aquele sorriso nostálgico, tente aproveitar aquele pensamento quase esquecido. E ao invés de se lamentar pela solidão nessa nova situação, lembre-se e aproveite o momento.

Se a vida descarregar um caminhão de pedras no nosso caminho, não há motivo para o desespero, afinal, nós já sabemos o que fazer com elas. Nos aprendemos juntos!

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