Se a culpa é sua, deixa de vitimismo e cresce.

Eu, assim como qualquer outro mortal, tenho minhas falhas, cometo meus erros e as vezes não faço bom uso da razão. No entanto, diferente de muita gente que conheço, aceito as repercussões das minhas escolhas e condutas como o que realmente são; consequências.

Podem dizer o que quiser de mim. Podem apontar todos os meus defeitos, podem me julgar, me classificar, me condenar… Mas nunca poderão dizer que eu me esquivo da responsabilidade que me cabe. Não sou do tipo que atribui culpa e detesto essa característica que tantos usam o tempo todo e pra tudo.

Na minha opinião, não existe nada mais patético do que atribuir culpa!

Se uma pessoa está frustrada por ter feito um mau negócio, ela não diz que lamenta por não ter sido mais sagaz, ela diz que foi enganada. Foi o outro que bateu no carro, foi o outro que insultou, o outro que mentiu, o outro que se aproveitou, que traiu, que tirou vantagem… É sempre o outro.

Até mesmo em ações solitárias, a pessoa consegue culpar a vida ou o universo por uma conspiração que só ela sente e que só ela sofre os resultados. As consequências são sempre injustas e ninguém nunca é responsável por nada.

Eu até entendo que existem vítimas, mas o vitimismo me enoja!

Acho de uma falta de caráter vergonhosa essa insistência em sempre apontar causadores, quando tudo não passa de reflexos de posturas que envolvem sempre mais de uma pessoa. E acho lamentável quando alguém sozinho que causou um dano a si mesmo, tenta de todas as formas justificar o acontecido com alguma desculpa ridícula apenas para se sentir menos culpado.

Essa imaturidade que motiva tantos a criarem cenários onde são sempre uns coitadinhos diante de algozes implacáveis, demonstra que são tão medíocres que não usam as experiências que sofrem como oportunidade de aprendizado. Passam uma vida inteira tentando ocupar lugares e espaços irreais que só se mantém na fantasia de suas mentes apavoradas e cheias de receio, e, como se não bastasse, denigrem outras pessoas para que tenham sempre alguém no degrau de baixo.

São tão ignorantes que usam Homer Simpson como exemplo colocando a culpa em quem quiserem, sem perceber a ironia por trás dessa comédia.

Para essas pessoas, eu gostaria de dizer o seguinte; não importa se você considera a vida uma dádiva divina, uma resposta da natureza, um jogo, uma guerra, uma mentira ou qualquer outra definição geral. Independente do que seja a vida, somos aquilo que vivemos. Nossas experiências moldam nosso caráter e o que extraímos delas é o que nos define como pessoas.

Todas as vezes que você se recusa a aceitar a repercussão dos seus atos, você está desprezando a oportunidade de aprender algo que evidentemente te falta. Logo, já que de nada valeu a experiência sofrida, certamente você passará pela mesma situação, afinal, sem ter absorvido a lição, como você será capaz de evitar que o problema de repita?

Dê uma boa olhada lá fora. Veja a miséria de conceitos e princípios inundando cada pedacinho dessa nossa sociedade. Veja como tudo parece ser um reflexo medíocre de ações injustificáveis. Você consegue definir algum motivo pra qualquer um desses muitos problemas que estamos enfrentando? Acha que é só o resultado da roubalheira dos políticos que você ajudou a escolher? Você acha mesmo que nosso maior problema é a crise econômica atual?

Nós estamos vivendo no limite da precariedade. Não temos saúde, educação, segurança, justiça, igualdade social, credibilidade comercial… Não temos participação mundial em nada. Não oferecemos nada, não criamos nada e tudo parece ser um resultado único, impossível de ser diferente. E por quê? Porquê ninguém nunca é responsável por nada!

Já é cultural culpar o governo por todo mal que a sociedade sofre. No entanto, quem é capaz de definir o sistema de governo que atua no Brasil?

Culpamos o governo como se fosse um monstro invencível habitando Brasília e com tentáculos por todo o país. Apontamos a corrupção, o excesso de ministérios, os desvios de dinheiro, as extravagâncias, a lentidão, a falta de decoro… Mas ninguém que não esteja envolvido poderia de fato fazer um resumo da situação. Culpamos o governo por costume!

E já que temos a quem culpar, o que aprendemos? Nada! Continuamos na inércia de um sistema que não compreendemos e que não desejamos compreender por sermos apaixonados pelo conforto que a ignorância nos oferece. O resultado é isso aí que você vê quando olha lá fora.

A cada dia que passa as pessoas se tornam menos interessadas em garantir sua própria estabilidade social. Quer um absurdo maior do que a necessidade de campanhas para que não joguem lixo nos rios, construam em encostas, dirijam embriagados..? O que esperam? Que o governo pegue em suas mãos e diga “olha, aquela água ali é um bem necessário pra que você continue vivo, não suja ela não tá”.

Um mosquito está tocando o terror no país e a pessoa continua fazendo tudo que ele precisa pra se reproduzir. Por quê? Porquê acha que o governo vai vir com uma raquete elétrica caçando todos os mosquitos. Afinal, o governo é responsável por isso, não o cidadão que tá com o filho de cama.

Você vai no posto de saúde, não tem remédio. Vai no hospital, não tem médico. Vai pra escola, não tem professor. Abre a torneira, não tem água. Paga uma fortuna por todos os serviços básicos. Todos os produtos da cesta básica estão caríssimos (somos um país que produz de tudo, sabia?). Sai de casa e pode ser assaltado, atropelado, ser o endereço de uma bala perdida, morrer afogado numa enchente, um viaduto pode cair na sua cabeça, o ônibus vai passar atrasado e lotado… E o que você faz? Protesta pra usar shorts na escola.

Sinceramente, já passou da hora de crescer e aprender com os próprios erros. Se cada um aceitar a culpa que têm por direito, juntos não seremos mais tão vítimas assim.

Existem duas opções; ou você deixa esse vitimismo de lado e começa a ser responsável. Ou cala a boca e para de reclamar pelo que você não ajuda a melhorar.

Se você quer ser sempre essa ovelha cega, surda e muda que só pensa em pastar, tá tudo bem. Mas não fique tentando ser um revolucionário cheio de conceitos que você não consegue explicar, achando que pode ser um dos porcos de George Orwell. A chapa tá esquentando e você certamente vai virar torresmo.