O desafio de amar o que se faz

Há quem diga que quem ama o que faz não trabalha um dia na vida. Escolher uma profissão que esteja de acordo com os nossos gostos e aptidões e ainda prestar atenção no mercado de trabalho é um desafio e tanto, sendo o nosso um cenário tão concorrido e seletivo.

Amar seu trabalho não significa simplesmente fazer o que você gosta, não é apenas ser bom nem fazer bem. Amar seu trabalho é se doar e nunca ficar estagnado, é buscar sempre melhorar e dar o seu melhor, é não impor limites ao seu talento e esforço.

Para fazer o seu trabalho bem feito, é necessário, além do conhecimento sobre o assunto, uma pitada de gosto. Executar serviços pensando no quão pesaroso eles são só traz resultados ruins e frustrações.

Mas, para mim, essa história de amar o que se faz não é tão simples quanto parece. Eu escolhi o jornalismo não porque amava a profissão de jornalista, mas porque eu sempre fui muito ligada à leitura e à escrita. Mas quando você entra na faculdade, percebe que a profissão não consiste somente em ler e escrever, e que o glamour do jornalismo só existe nas telas das TVs.

Quando você entra na faculdade é que percebe o grande desafio que é escolher uma profissão. Escolher uma função que, provavelmente, você vai exercer pelo resto da vida. Maior ainda é o desafio de gostar dela.

Não é a faculdade que te ensina isso. A faculdade te ensina a trabalhar e o trabalho te ensina a gostar do que faz. Você sabe que ama sua profissão quando acorda todos os dias antes do sol nascer, pega dois ônibus lotados pra chegar ao escritório, mas ainda sim chega ao final do dia pensando em como ser melhor na sua função.

Esse é o espírito de quem gosta do que faz, o de sempre querer ir além, de criar soluções que visem um desenvolvimento conjunto, que almejam sempre um crescimento do grupo.

As pessoas sempre perguntam: “Mas Dani, você é tão inteligente e jornalista ganha tão pouco, por que você não fez medicina?” A resposta é sempre a mesma. Não fui feita para as pessoas, fui feita para as palavras, e é com elas que eu quero viver os meus dias. E salário depende de trabalho bem feito, se você é bom no que faz, vai achar quem te pague bem.

Amar o que se faz é, sim, um dos maiores desafios que existem. Por mais que exista o amor, ainda existem os percalços que toda profissão tem, ainda existem os contratempos e os dias que você quer largar tudo e morar num trailer, mas aí você se lembra de que você não vive se não for o que é. Eu, no caso, amo o jornalismo com todas as suas dificuldades, e não saberia ser mais nada além disso.

Daniele Franco, estagiária do Sou BH.