O esporte, a olimpíada e você.

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Quem me conhece minimamente sabe o quanto sou fascinado por esportes. Seja praticando ou assistindo, poucas coisas me encantam mais que uma disputa esportiva, seja qual for a modalidade. Eu gosto e ponto.

Toda essa fascinação explica uma dos mantras que mais acredito: “o esporte é reflexo da vida”. E as duas últimas semanas, com a atmosfera mágica dos Jogos Olímpicos no Brasil, provaram ainda mais a veracidade dessa minha “teoria”.

O esporte consegue extrair todos os sentimentos possíveis de dentro da alma. Alegria, fúria, tristeza, orgulho, felicidade, superação… Mais que isso: parece simular primorosamente situações extremas de nossas vidas, sejam elas simples ou complexas.

A vida de todo mundo tem altos e baixos, assim como a carreira de qualquer atleta. Como tudo na vida, o esporte requer dedicação e sacrifício em prol dos objetivos. Em ambos, esporte e vida, existem vitoriosos e derrotados, mas os resultados não sentenciam quem é melhor ou pior. Exemplos não faltaram no Rio.

O infeliz desabafo do francês é como aquela besteira que você falou de cabeça quente e magoou sua mãe. É possível pedir desculpa;

A derrota do vôlei feminino é como aquela prova que você estudou para tirar total, mas não foi bem. Simplesmente não era seu dia;

Foto: Marco Marengo / Shutterstock.com

A eterna busca do futebol feminino pelo ouro é como aquele emprego que você sempre almejou e nunca conseguiu. Mas o tal emprego ainda pode ser seu, como a medalha do ginasta que havia fracassado nas últimas duas olimpíadas. Basta seguir tentando!

São apenas reflexos.

O esporte tem o magnífico poder de traduzir suavemente as lições que a vida nos dá. Aprende-se a perder, a respeitar, a competir, a ganhar, a não desistir… Mas a grande lição é a de dar o melhor de si.

Não importa se você é o campeão ou o último colocado. Se é brasileiro, americano ou hondurenho. Se é rico ou pobre, chefe ou empregado, direita ou esquerda. Uma vez que você se propõe a fazer algo, precisa envolver-se ao máximo para fazê-lo bem, independentemente do resultado que virá.

Nenhum atleta entra na quadra, no campo ou na pista com a certeza da vitória. A única certeza é a de se esforçar até o seu limite. O que separa os vencedores dos derrotados é que cada qual tem seu próprio limite. Mas acredite: não existe melhor ou pior quando todos dão o máximo de si.

A Olimpíada acabou, mas o esporte segue. Nossas histórias também.

Pouco importa se o reflexo da sua vida vem dos ouros do nadador imbatível, da derrota do vôlei ou da volta por cima da judoca brasileira. Não se preocupe se sua vitória vai chegar depois de cinco décadas, como no futebol, ou se virá logo na primeira tentativa, como no salto com vara.

Sua inspiração diária deve ser um valor que todos os atletas têm em comum: a dedicação máxima.

Pode ser que a “grande medalha” da sua vida seja conquistada em 2020, pode ser que ela venha antes e, preciso alertar, talvez ela nunca seja sua. O fundamental é saber, quando cruzar a linha de chegada, que você fez o seu melhor.

“No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz”.

Ayrton Senna.

Daniel Guerra, jornalista do SouBH.

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