Versilibrismo existencial

Dia quente, fato preto
Marcha à rua e suor no rosto
Hoje estamos sepultando
Algo diferente de um morto

É o dia do enterro
De todas as outras vidas
Que deixamos de viver
Ao escolher esta efetiva

Sob o peso delas todas
Torva responsabilidade
É o preço que se paga
Por tamanha liberdade

Finalmente mãos nas pás
Jazigo vilipendiado
Todos os eus que não existiram
Estão agora enterrados

É tempo de pensar
Nos eus que posso ser
Abraçar o desespero
Nós nascemos pra morrer

No fim das contas é só isso
Há quem diga que não?
Tal só pode estar maluco
Ou então vivendo em vão

A primeira graça do Sileno
Nunca nos foi dada
Sobrou ter que lidar
Com a vida boa e desgraçada

Se eu pudesse escolher
Não sei o que seria
Entre uma ou nenhuma:
Infinita aporia.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.