O que estamos fazendo?


Eu nasci em uma época de transição, Plano Real recém-criado, Windows ficando popular, celulares ficando menores, o mundo acabando duas vezes, pendrive caro, pendrive barato, enfim… gosto do momento que nasci, tive a chance de pegar o fim de uma época e ainda posso aproveitar (se tudo der certo) uma boa parte dessa “nova”.

Em um dos meus momentos ~ filosóficos~, fiquei pensando no quão rápido a nossa sociedade mudou, mais do que isso, quais os efeitos que essa mudança tão célere trouxe para nossas cabeças.

Estamos mais incessíveis, pessoas morrem e fazemos piadas em troca de likes. Estamos mais burros, pessoas caem de pontes pra tirar uma selfie legal, fazemos babaquices, subimos para o YouTube e chamamos de “pegadinha”. Estamos agressivos, estamos invasivos. Queremos views, estamos procurando felicidade em números. Ficamos animados com um like e depressivos com a falta dele.

O mundo gira em torno de nós… “olha, ‘amigos’, estou assistindo”, “olha, ‘amigos’, estou comendo”, “olha, ‘amigos’, estou jogando um balde com água gelada na cabeça”. Entendo a causa dessa última, mas é triste perceber que a forma mais efetiva de chamar a nossa atenção é nos dando o centro das atenções antes de doar ou seja lá o que for.

Não sabemos brincar, usamos a máscara do anonimato para atacar o outro. Somos superficiais, nossas metas são superficiais, quero ter 1000 seguidores no Instagram, mas não me importo em estabelecer uma relação com essas pessoas, quero que elas me sigam, quero os likes delas. Quero ser bom na minha área, mas não dedico tempo para aperfeiçoar minhas habilidades. Quero saber em quem votar, mas não quero pesquisar os canditados… um tweet não basta?

Não aproveitamos as experiências, queremos registrar tudo… fotos, vídeos, hashtags, filtros. Vamos para shows e preferimos gravá-los com o celular do que assisti-los. Tudo bem, temos uma necessidade intrínseca de compartilhar nossos momentos, mas estamos focando tanto em mostrar aos outros como algo é tão bom que estamos esquecendo de experimentá-lo.

Nossa comunicação está cada vez mais textual e cada vez mais breve. Nossa interação cara-a-cara é por Skype. Se não concordamos com alguém, é unfollow, unsubscribe, unfriend. Somos intolerantes, basta ver os comentários no YouTube.

É triste, porque a internet é uma ferramenta fantástica para aprender sobre novas culturas, perspetivas e opiniões e mesmo assim odiamos, xingamos quem não se encaixa no padrão de certo estabelecido por nós.

Nem tudo pensado ou feito por nós precisa ser compartilhado, em sua grande maioria basta ser vivido.

Texto originalmente publicado no meu blog pessoal ano passado. Resolvi trazer ele pra o Medium também.