Basta Coragem

Coragem é o que me falta.

E como falta. Coragem de falar com você. Coragem de deixar você. Coragem pra deixar o sentimento partir. Coragem de avançar. Seguir em frente. Virar a página. Escrever algo novo. Se permitir.

E o que posso fazer eu, se você não quer ficar? Se você não vem mais falar do que se foi? Se você não tem mais do que se explicar? Se não faz mais sentido querer abrigo agora você não quer ficar.

Você era o meu algo novo. Você era a quebra de, se não todas, a maioria das minhas regras. Você merece um troféu por tudo o que me fez fazer nos últimos dias. Por me fazer sair do trabalho antes do horário pra ir ver La La Land pela terceira vez no cinema. E por me fazer ir ao cinema com a minha farda ridícula do trabalho. Sua é a culpa de eu ter cometido atentado ao pudor diversas vezes. Sua é a culpa de ter me apresentado aos motéis da cidade.

“Você me incendiou, me profanou, pediu à Deus com toda força que o meu corpo fosse teu. Me consolou, justificou, disse: sou teu! Me carregou nos braços e então se escondeu.”

A culpa é sua de me fazer sentir o que eu não queria. O que já nem sabia mais que existia. O que eu julgava ser algo impossível, até impróprio pra mim, que jazia no meu mundo seco do sentir.

“ Me profanou, me incendiou e até roubou um sonhador, de vida e dor. Me dizia: ‘não vá para o mundo minha flor!’ e eu dormia embalado na alegria, sem saber se me perdia ou se acreditava nesse amor.”

E agora falta-me a coragem. Coragem pra julgar tudo o que houve. Pra julgar o mau que você me fez. Coragem pra entender o mau que eu mesmo me fiz. Coragem, pra admitir que na realidade você não passa de uma ilusão, feita pra suprir uma carência que de tão passageira, já nem sei se existe mais, ou se é coisa da minha cabeça, pra te manter vivo em mim.

Gostaria de ter coragem.

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