Há quase um ano fazendo terapia, acredito que hoje tive a minha primeira crise de ansiedade, pelo menos, uma que se preze.

Por volta das 13h eu estava assistindo a um vídeo no Canal Casa do Saber, no YouTube. O vídeo que tem por título “Vontade de Mudar”, logo me chamou a atenção, visto que é um tema bastante conversado com meu terapeuta. Ele está quase sempre ressaltando que existe em mim um desejo de mudar. Mudar o que? Mudar porquê? Pra quê? Como? São perguntas que me faço sempre que ele toca no assunto. Ao ouvir no vídeo a seguinte frase “espere menos, pense menos e aja mais” a respiração já foi ficando mais ofegante, a inquietação já foi tomando conta, comecei a andar de um lado para o outro dentro de casa e então as lágrimas vieram, não deu pra conter. O que se passa em minha mente nessas horas é: “não vou conseguir”, “não estou saindo do lugar”, “eu não faço nada, só faço falar ou pensar demais”, “estou perdido e lascado”, “acabou”.

É bem fato que sim, eu quero mudar. Mas estou sempre desejando a mudança errada. Eu estou sempre querendo mudar o mundo ao meu redor. Quero mudar as pessoas, quero mudar de emprego, quero mais dinheiro pra poder viajar assim como vejo amigos viajarem e serem “tão felizes em suas viagens”. Quero poder investir em mim, quero uma nova graduação, quero uma pós graduação, quero publicar um livro, quero um apartamento, quero um carro, quero uma esposa e filho. Quero tudo o que está lá fora, tudo o que é mais fácil de se conseguir, basta um objetivo, foco e disciplina. Mas eu nunca quero o que é mais importante, o que tenho aqui dentro, nunca quero a mim mesmo.

Eu odeio insetos, mas amo borboletas. Borboletas são leves, coloridas e estão sempre voando por aí de flor em flor. E o que isso tem a ver com tudo que falei anteriormente? Ora, tem tudo a ver! Antes de ser borboleta, ela e apenas uma lagartinha, muito feia por sinal, que só sabe comer e “destruir” a folhas das plantas que cultivamos. Durante essa fase ela se rasteja, sua visão nem é tão privilegiada e sua vida se resume a comer.

Quando chega no estado de crisálida, a coisa fica ainda pior. Imagina só, se trancar em um lugar que só cabe você mesmo e mais nada, e ficar por ali dias a fio, passando por um verdadeiro processo de transmutação do seu corpo. Ali ela está tão frágil, qualquer dano à sua crisálida pode lhe custar a vida.

Após todo esse processo, aquele ser que outrora rastejava e não tinha beleza ou utilidade aparente, ao sair da sua crisálida, totalmente transformado, agora seca seu novo corpo ao Sol, fonte de vida. Ela agora deve se acostumar com seu novo corpo, com sua capacidade de voar e principalmente, com seu novo mundo, novos hábitos, seu novo campo de visão, seu novo modo de ver o mundo, quase sempre do ato, ela deve se acostumar a ser uma nova criatura.

A borboleta deveria servir de inspiração pra mim, tanto quanto pra você que almeja transformação. Seu ciclo de transformação é inteiramente voltado pra si mesma. O mundo vai mudar, porque ela mudou, porque seu modo de enxergar o mundo mudou. E ela agora, ao término de sua transformação, trás mais beleza aos olhos de quem a vê voando por aí.

Parecia tão fácil quando o meu terapeuta falou. Parecia tão poético quando ele propôs “morte e renascimento”. Não imaginava que iria doer tanto. Que iria exigir tanto de mim. Não imaginei que eu quisesse desistir.

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