Diversidade e Endomarketing: Motivação, inclusão e valorização do profissional LGBT no mercado de trabalho.

O Brasil é o país com o maior número de assassinatos de LGBTs nas Américas — em 2016, foram 340 homicídios registrados. 144 destes casos seriam de travestis e transexuais.

A ideia de que o colaborador é o cliente número um de uma organização/empresa não é recente, e ainda sim continua fazendo sentido.

Neste sentido, conhecemos empresas que utilizam o Endomarketing— ou Marketing Interno — para engajar e motivar seus funcionários, desenvolvendo ações para conquistá-lo, retê-lo e fazê-lo um propulsor da marca e melhorar suas experiências no dia a dia do trabalho.

Mas, e quando falamos sobre funcionários LGBTQI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Travestis e Intersex)?

A questão de sexualidade ainda é um tabu em diversas organizações, principalmente no Brasil, onde as empresas não parecem querer/tentar criar um ambiente saudável e confortável para a inclusão do funcionário LGBTQI. Em um estudo feito pela Consultoria Santo Caos na Cidade de São Paulo, 43% dos entrevistados afirmam ter sofrido discriminação por sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho.

De acordo com outro estudo, elaborado pela empresa de recrutamento Elancers, 38% das empresas brasileiras não contratariam pessoas LGBTQI para cargos de chefia, e 7% não contratariam em hipótese alguma.

Outra pesquisa que confirma esta realidade foi feita pela ONG OutNow em 11 países. Uma vez que, na Austrália 51% dos funcionários LGBTQI são abertos no trabalho, no Brasil o número cai para 35% — e na Índia despenca para 8%.

Com dados tão desanimadores, não é de se estranhar que tantos LGBT’s+ queiram mudar de emprego, ou mal cheguem a conseguir um. Imagine a pressão psicológica que é passar a maior parte do dia em um ambiente desrespeitoso, opressor, e que te força a ser alguém que você não é, só para manter as “aparências”.

Isso quando o funcionário não perde o emprego por se surpreenderem com quem ele vai para a cama.

“Mas não são minhas habilidades e competências que contam?” Pensou o funcionário.

Com perfis, interesses, vidas e objetivos pessoais e profissionais tão distintos, é necessário que as empresas e setores que cuidam da comunicação e do relacionamento interno busquem e encontrem formas de engajar, interagir e abraçar todos os colaboradores, sem excluir ninguém.

No Brasil, grandes marcas aderiram ao discurso à favor da diversidade e deram voz ao público LGBTQI em suas peças publicitárias.

Mas, só isso não basta!

Além de ser primordial que a empresa tenha propriedade para falar sobre diversidade, é preciso ver isso em suas políticas internas. O atualmente citado, “Marketing LGBT”, soa mais como uma oportunidade de crescimento nas vendas, ao invés de um discurso que apoia e cria oportunidades para o público. E não é assim que deveria ser, não é mesmo?

Essa diversidade toda que sua empresa diz valorizar é representada também no censo demográfico dos seus funcionários?

Se a resposta for negativa você já sabe qual seu próximo passo.

Então, que tal, alguns exemplos para se inspirar?

No relatório anual da Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD) é possível ver que 4,8% dos personagens em todas as séries de TV exibidas nessa temporada são LGBT, a maior porcentagem nos 21 anos em que o estudo é conduzido. Enquanto isso, 20% dos personagens de séries de TV aberta são negros — outro recorde.

Em séries originais de plataformas de streaming, como Netflix, Amazon e Hulu. Foram encontrados 43 personagens LGBT’s fixos e 16 participações especiais em 23 seriados.

Marcas como Coca-Cola e McDonald’s, foram muito bem no índice da Human Rights Campaign, tirando a nota máxima no índice da ONG, que avaliou o cuidado com os funcionários LGBT dentro das organizações.

Uma das marcas de Café mais conhecidas no mundo também defende os direitos LGBT. Em 2014, o Starbucks realizou um comercial com duas Drag Queens do programa “RuPaul’s Drag’s Race”, Bianca Del Rio e Adore Delano.

Além disso, a empresa celebrou a aprovação do casamento igualitário nos Estados Unidos, e fez questão de certificar que seus estabelecimentos fossem seguros para LGBT’s na cidade de Seattle, tendo feito uma parceria com a polícia local, treinando seus funcionários para que saibam o que fazer em caso de crimes de homofobia e transfobia.

A empresa também assina uma carta que pede ao governador da Carolina do Norte para que suspenda a lei que proíbe pessoas trans de usar o banheiro de acordo com o gênero que se identificam.

Muitas outras empresas, como ADIDAS, Google, Apple, Lola Cosmetics, Natura, Boticário, L’OréalParis, Avon, entre outras, têm feito o mesmo, desde mudar políticas internas até transmitir mensagens de valorização e respeito à diversidade.

As estratégias e conceitos do Endomarketing são facilitadores para que essas mudanças aconteçam, não se trata de expor ninguém à força, obviamente, mas é necessário criar condições (extensão de benefícios, iniciativas de integração, treinamento em diversidade, capacitação profissional, palestras e eventos motivacionais, sistema de ouvidoria eficiente, relacionamento e incentivo ao respeito) para garantir um ambiente mais acolhedor e consequentemente ter funcionários mais satisfeitos, qualificados e com um bom relacionamento em equipe.

Isso envolve uma profunda mudança na cultura da organização. Dá trabalho, mas os resultados compensam!

O investimento em estratégias de Endomarketing é um dos impulsos para engajar seus funcionários e desenvolver uma comunicação mais efetiva com eles e entre eles, melhorando assim os resultados dos colaboradores.

O caminho mais seguro na comunicação dentro das empresas, bem como seu sucesso, está ancorado no conhecimento e nas relações pessoais dentro do ambiente do trabalho, assim como no trabalho em equipe, empatia e no respeito às diferenças.

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Até a próxima!

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