a falta sempre volta

nelsinho pensador. dono da voz que cria essa mesa aí. mesa do chororô da saudade ❤

nos olhos tinham o brilho
que eu era fã
não tinha mesa pra sentar
do bandolim era a caixa fósforo
quase vazia
quase que um repique 
caixa de baile solto

a sala sempre ali
ninguém fala dele pra mim
a saudade dói
esconder dói
correr dói
lembrar dói

a falta sempre volta
a pergunta sempre fica

a pouca memória
me ajuda inventar a história
que o tempo deixaria 
ele contar
ele ia enxergar

no que eu me tornei
eu nem sei 
se tornaria o orgulho
ou o grito do expurgo

o apreço no samba
o avesso a quem ama
entrada na testa
amor invertido de festa
desapego a matéria
to atrasado me espera
esse aqui é o meu filhote
que ruim no esporte
o corte desenfreado
filho do machado

é a vontade de ser você

eu sigo
sem coragem de repetir o que a gente sempre quis

olho no espelho
sigo a sua imagem 
não lembro mais quem é

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