O remédio amargo e caro para o estado na UTI


Hoje assisti à estreia do programa “O Rio Grande que dá Certo”, apresentado pelo jornalista Oziris Marins, com participação dos jornalistas Affonso Ritter e Renato Martins, entrevistando o empresário e engenheiro Ricardo Felizzola, CEO da Altus e HT Micron, presidente do PGQP e Vice-Presidente da FIERGS.

Contrariando minhas expectativas, ouvi um discurso bastante coerente partindo do entrevistado. Entre as constatações sobre a economia do estado, o excesso de gestão e falta de governança, inclusive em âmbito nacional, uma fala do empresário definitivamente reduziu a pó a tal “ousadia” e coragem que o atual governador do estado, José Ivo Sartori, diz ser necessária para se aumentar os impostos em tempos de crise.

Felizzola, como representante da classe empresarial que é, falou sob a lógica de mercado, em que, quando uma empresa — nesse caso o estado — vai mal nos negócios, a primeira medida a ser tomada é reduzir os preços, principalmente quando o produto oferecido não é dos melhores. Concluiu dizendo que coragem mesmo seria reduzir os impostos, visto que o valor arrecadado com o reajuste do ICMS no Rio Grande do Sul não vai suprir o rombo nas finanças do estado a curto prazo.

Uma redução de impostos seria uma resolução realmente ousada e corajosa. Além de não prejudicar o bolso nem da classe trabalhadora, nem da classe empresarial, seria uma forma inteligente de atrair investimentos externos e novas empresas para o estado, isso sem falar no ganho político com uma medida desse porte. Mas como esse não é o modelo de gestão desse partido, que não é o Rio Grande, permaneceremos aqui, reféns dos cortes nos benefícios de professores, da falta de policiamento nas ruas, do fechamento e privatização de órgãos públicos, das rodovias estaduais jogadas às moscas, enquanto pagaremos mais e mais impostos.

O cenário político desenhado pelo PMDB gaúcho em suas gestões anteriores seria no mínimo questionável, entretanto, o pandemônio atual consegue a incrível façanha de desagradar tanto aos sindicatos quanto aos patrões. “O remédio é amargo, mas o Estado está na UTI”, disse o gringo na última quinta-feira (20). A questão é que o tal “remédio”, além de amargo, custa muito caro e o estado faz questão de não oferecer genéricos.

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