De onde vem a motivação? parte 1

Talvez essa seja a pergunta de 1 bilhão de dólares.

O fato é que não existe apenas uma resposta para esse questionamento.
Mas descobri alguns atalhos e é sobre eles que quero falar por aqui.

O que nos leva a acordar as 5h da manhã para praticar um esporte mas na hora de levantar para trabalhar só conseguimos depois de três "sonecas"?
Por que alguns funcionários se dedicam incondicionalmente ao seu trabalho e alguns outros não vêem a hora de chegar as 18h para bater o ponto e ir embora?
O que leva algumas pessoas a ficarem horas jogando video game mas que caem no sono ao ler a primeira página de um livro.
Por que existem pessoas que conseguem seguir uma dieta a risca e outras não conseguem sustentar essa mudança de hábito alimentar por mais de uma semana?

O que explica esses acontecimentos?

Sendo bem categórico, a neurociência tem a resposta para isso. A motivação vem de um lugar chamado: Corpo Estriado.

Corpo Estriado é uma espécie de central telefônica do nosso cérebro. Ele é responsável por re-transmitir os comandos do córtex pré-frontal (onde são tomadas as decisões) para os gânglios da base (onde surgem os movimentos e as emoções).

Tá, pera aí Jean, mas de onde vem essa informação?

Charles Duhingg, autor de O Poder do Hábito, descreve alguns estudos em seu último livro: Mais Rápido e Melhor.

FATO 1- Estudos realizados com diversos pacientes que foram levados a médicos por parentes indicando falta de motivação apontaram um PADRÃO. Todos esses pacientes possuíam pontos minúsculos de vasos rompidos no corpo estriado.

FATO 2- Um experimento realizado na Universidade de Pittsburg submeteu voluntários a um jogo simples de adivinhação e contava com um aparelho de ressonância magnética funcional monitorando as sensações neurológicas de empolgação e expectativa dos participantes. Os pesquisadores que monitoravam a atividade viram o corpo estriado das pessoas se iluminar sempre que os participantes jogavam, qualquer que fosse o resultado. Ou seja, ele sabia que aquele tipo de atividade no corpo estriado estava associado a reações emocionais — em especial sentimentos de expectativa e empolgação.

A partir daí, descobriu-se que o corpo estriado é o responsável por traduzir decisões em ações e exerce um papel importante na regulação do humor. Ou seja, quando algo não está 100% normal nessa região, temos dificuldade em transformar nossas vontades/pensamentos/decisões, em AÇÕES.

Agora o mais interessante disso tudo foi a descoberta de que:

A motivação é uma habilidade.

Semelhante a ler, escrever ou até mesmo tocar um instrumento, motivação é algo que pode ser aprendido e aperfeiçoado. Assim como descobriu-se a neuroplasticidade (capacidade de adaptação do nosso cérebro a partir dos estímulos que recebe) que provou ser possível desenvolvermos a nossa criatividade, também descobriu-se que podemos estimular e desenvolver o nosso corpo estriado, e assim, consequentemente, nossa motivação.

Daniel Pink, em seu TED, lá em 2009 já trazia algumas conclusões a respeito disso. Especialmente no âmbito profissional, Pink é categórico:

“Há um desencontro entre o que a ciência sabe e o que fazemos nos negócios.”

Durante décadas fomos educados que, para motivar pessoas precisávamos oferecer-lhes uma recompensa. E essa premissa foi utilizada como base para sustentar atitudes, mindsets e modos operandis de 99,9% das empresas assim como seus líderes e gestores.

A máxima era: se você quiser que sua equipe performe melhor, você precisa aumentar a sua recompensa financeira.

Pesquisas e experimentos desenvolvidos pelo MIT comprovaram que recompensas estreitam nosso foco e concentram nossa mente em um ponto específico. Ou seja, se quisermos resolver problemas claros e específicos, recompensas ATÉ podem funcionar, mas não existe uma garantia comprovada de que isso funciona.

Porém, para resolver questões que exigem uma visão periférica, complexa e criativa, o efeito é inverso. Recompensas além de não funcionar, podem prejudicar o nosso desempenho.

E se analisarmos o desenvolvimento da tecnologia e sua velocidade exponencial, é fácil perceber que esse tipo de tarefa: operacional, repetitiva e segmentada, se já não foi, rapidamente será substituída por máquinas. E aí, haja fôlego para resolver questões complexas e criativas.

Portanto, agora que você já sabe de onde vem a motivação agora é só ir ao seu encontro.

ps:no meu próximo texto vou trazer dicas de como desenvolver a nossa motivação, fica ligado :)

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