400 Danos.

Belém é quase uma impossibilidade. Um monstro de concreto e aço resistindo em meio a rios e florestas, uma metrópole do século 19 em pleno século 21.

É difícil viver aqui, o clima, a violência de quase um Vietnã por ano, a sujeira a céu aberto, a música sempre alta demais e o povo, que antes era alegre, hoje anda triste, assustado e sufocado.

Mas ao mesmo tempo é fácil, tem o rio, a brisa que vem dele, a chuva, que hoje já é tímida, e todos os clichês que estão nas milhares de canções, livros e filmes sobre a cidade.

Como boa Quatrocentona, Belém vive hoje do passado em um presente, cada dia, mais decadente e um futuro não muito promissor.

Já tentei abandonar várias vezes isso aqui, mas a cidade parece ter uma força magnética que sempre me fez voltar.

Entre os dias que a xingo e os momentos de contemplação e quase amor, eu vou ficando.

Parabéns para nós, que não somos só moradores, 
somos sobreviventes.

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