Virando um leitor suave

Entre bebedeiras solitárias no meu bar preferido da cidade, rolês solitários na capital, shows de rock nos picos mais lindamente sujos e apertados que você respeita, amizades que duraram cerca de uma hora ou menos, várias idas ao médico para tratar de uma doença estomacal, planos mal feitos para uma viagem que não aconteceu, e, por fim, a recuperação de um tornozelo fraturado em um acidente de moto, eu consegui arranjar tempo para fazer coisas que eu andava inventando desculpas para não fazer nos anos anteriores, como tirar algumas horas do meu dia para ver bons filmes e ler livros que deveria ter lido anos atrás.

Acompanhei promoções em livrarias virtuais que me fizeram parecer um daqueles leitores vorazes e altamente consumistas, mas o que eu queria mesmo era me tornar um leitor suave. Sem me preocupar em ler qualquer coisas que está sendo altamente comentada ou que é obrigatório para quem é manjador do assunto.

Eu procurei ler o que me parecia interessante e a lista é pequena. Olha só:

O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)

Era começo de ano e um momento apropriado para ler algo sobre solidão, obsessão e um desejo de reaproximação de um amor antigo após uma longa espera. Algo também sobre as ambições masculinas, o desejo de “chegar lá” e então ser visto por quem você deixou para trás no passado como um homem evoluído e pronto para um novo começo, mas então, perceber que você não mudou tanto assim. Este era Jay Gatsby e eu vi um pouco de mim nele e também em seu amigo e narrador da história, o também solitário Nick Carraway.

Já conhecia o filme estrelado por DiCaprio e seu amigo de sempre, o Homem Aranha, mas o livro me fez observar com muito mais atenção a profundidade dos personagens e as mensagens passadas.

Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley)

Muita gente pode considerar vergonhoso um sujeito de 25 anos nunca ter lido a obra definitiva de todas as distopias, ainda mais sabendo que esse cara conheceu 1984 e A Revolução dos Bichos aos 18–19. Já não era sem tempo, não é mesmo.

Huxley provavelmente foi muito importante para a obra de Orwell e juntos eles podem ser considerados os arquitetos da literatura distópica e até mesmo da sociedade contemporânea — mórbido, né?

Confesso, foi um saco ler este livro. Peguei uma edição pré-histórica na biblioteca, que cheirava a mofo e dava uma certa deprê, mas fui forte e matei uma curiosidade de anos.

No Sufoco (Chuck Pahlaniuk)

Com este livro eu aprendi que nem tudo de Chuck Pahlaniuk são flores.

Antes deste eu havia lido apenas Condenada, que é constantemente cômico e nem tão nonsense, com possibilidade de uma leitura ágil e divertida do início ao fim.

Já No Sufoco, apesar de tirar umas boas risadas e diversas expressões de nojo, repulsa e constrangimento, fica monótono às vezes, mas acho que isso se deve à minha pouca experiência com leitura.

Do Inferno (Alan Moore)

O MESTRE Alan Moore nunca esteve tão presente em minha vida como no ano passado e eu sinto que isso vai se estender para este que se inicia.

Dentre as coisas que comprei do bruxo britânico, está o caríssimo calhamaço em quadrinhos Do Inferno.

Mais do que um terror repleto de pornografia e baixo calão, a HQ é uma aula de história e teorias de conspiração sobre a construção de Londres. Valeu esperar por uma promoção de quase 50% de desconto.

Clube da Luta (Chuck Pahlaniuk)

Não. Eu nunca tinha lido o livro.

Conhecia apenas o filme.

Pra variar, vale à pena.

Resenha curta como o livro.

Maus (Art Spiegelman)

Uma amiga minha me contou que quando viu a Maus na livraria, pensou em comprar para ela, mas então lhe ocorreu que meu aniversário estava próximo e lembrou-se de um momento que eu mesmo não me recordo, em que eu pegava o livro na mão e olhava com brilho nos olhos.

Dos poucos amigos, sou grato por todos.

Uma das melhores HQs que já li.

Só Garotos (Patti Smith)

Comecei a ler em 2016 e terminei em 2017. É meu ritmo.

Provável que eu faça uma resenha mais elaborada sobre este e o “Linha M”, que estou lendo no momento.

Obra autobiográfica da poeta e precursora do cenário punk americano, que passou um perrengue na cerimônia do Nobel, fazendo uma apresentação que me fez suar pelos olhos.

https://www.youtube.com/watch?v=DVXQaOhpfJU

No ano de 2017 eu sigo com minha busca pelo hábito literário, dentre vários outros hábitos que quero adotar.

Boa sorte para mim.

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