Um guia definitivo pra não enlouquecer trabalhando em home office

Sou revisor e há quatro anos passo mais de 40 horas semanais em escritórios — nem sempre apropriados — montados dentro do meu quarto. Durante esse período fui diagnosticado com depressão e síndrome do pânico. Conversando com amigos que tem rotinas parecidas percebi que distúrbios psicológicos são bem mais comuns do que eu imaginava entre adeptos desse esquema de trabalho. Então, como podemos nos ajudar?

Resolvi perguntar a pessoas que tem a própria casa como escritório, nas mais variadas áreas — tradutores, designers, fotógrafos, artistas plásticos, analistas de social media, produtores de eventos, programadores, estudantes em fase de trabalho de conclusão de curso—quais métodos elas usam para tentar manter suas mentes saudáveis. Compilei alguns trechos das conversas lotadas de dicas valiosas nessa lista inspiradora:

Evito trabalhar no mesmo lugar onde durmo ou descanso. Você precisa ter um refúgio dentro da sua própria casa. O trabalho é normal, só a locação é menos convencional, então vai rolar estresse. É importante poder se desligar do lugar de tensão no fim do dia. Acho que ter uma mesa exclusiva para trabalhar é o ideal;

— Fábio, 27

Tento usar meu tempo livre em pequenas atividades fora de casa o máximo possível. Quando dá vontade de tomar uma cervejinha vou pra rua, sento no bar da esquina e bebo com calma olhando o movimento. Faço isso ainda que tenha algumas latinhas na geladeira;

— Raphael, 32

Não uso as mesmas ferramentas para lidar com contatos sociais e contatos de trabalho. Uso o mensageiro do Facebook só para falar com amigos e falo com as pessoas que trabalham comigo pela intranet da empresa. Nem tenho Whatsapp instalado;

— Jeff, 29

Trabalho em uma sala bem iluminada, bastante luz natural;

— Luisa, 20

Reservo alguns minutos para mensurar o escopo de trabalho do dia e planejar minhas pausas;

— Daniella, 31

Divulgo bastante meu horário de trabalho entre amigos e família. Assim eles entendem que nesse horário, mesmo que esteja em casa, não estou disponível;

— João Pedro, 25

Parece bobo mas bebo muita água porque me ajuda a ficar menos ansiosa;

— Adrielly, 30

Tento não me envolver em publicações polêmicas nas redes sociais durante meu horário de trabalho. Quando interagi em discussões online, isso drenou meu tempo e estabilidade emocional;

— Julia, 19

Tenho um escritório confortável. Invisto em equipamentos com boa qualidade anatômica e posicionei minha mesa próxima a uma janela com vista para a rua. Nunca perco totalmente o contato com o exterior e nem viro noites;

— Fábio, 27

Combino logo de cara com meus clientes os horários em que não estarei disponível. Já tive cliente que interrompia minha prática de esportes, relações sexuais, refeições e partidas de video-game para tentar me fazer atender demandas fora do horário combinado. Não me submeto mais a isso porque não vale a pena. Não acho justo com meu corpo e mente;

— Raphael, 32

Sou freelancer então tudo é muito instável sobre grana pra mim. Mas acho acompanhamento psicológico primordial para quem passa muito tempo isolado. Não tenho plano de saúde então uso o serviço de atendimento gratuito de uma universidade;

— Carol, 20

Uso todo fim de semana para colocar projetos pessoais em prática. Nesse tempo produzo somente coisas em que acredito e tenho paixão. Livre da aprovação de terceiros;

— Daniella, 31

Trabalho com criação então nunca bloqueio minha recepção de referências com uma rotina de trabalho pesada demais. Preciso de tempo pra ler, assistir filmes, séries, visitar exposições, ouvir música, ir a shows, rolar os feeds do Tumblr, Pinterest, ver os trabalhos de outras pessoas. Geralmente quando fico sem referências frescas produzo com menos qualidade;

— João Pedro, 25

Acabei adquirindo tendinite porque não parava de digitar até terminar de traduzir 100 páginas por dia. A dor foi ficando insuportável e quando finalmente fui ao médico soube que teria que ficar em repouso por quase duas semanas. Perdi vários trabalhos, não consegui pagar algumas contas e isso me deixou muito triste no período de recuperação. Agora qualquer mal estar eu largo tudo e corro pro médico;

— Débora, 39

Sempre estou precisando de dinheiro mas tento não tornar a venda de momentos de descanso em hábito. Pego freelas com moderação e nunca deixo de ir a um evento que quero muito por causa disso. Em 2011 brotou um job com pagamento legal bem no dia do show da Amy Winehouse, que eu adorava. Elegantemente recusei. Se tivesse aceitado carregaria esse arrependimento pra sempre;

— Marcos Vinicius, 41

Durmo todos os dias. Tenho uma produtividade melhor em horários alternativos, tipo de madrugada, mas reservo um período a cada 24 horas para deixar minha mente descansar.

— Raphael, 32