Dublin: um mundo numa cidade

Cheguei em Dublin há pouco mais de uma semana e, mesmo que eu tenha que assumir que esse tempo é extremamente curto, já tenho muito o que escrever a respeito da minha experiência por aqui. Vale lembrar que essa é a minha primeira viagem ao exterior, minha primeira viagem sozinha e a primeira vez que fiquei mais de uma semana longe dos meus pais, da minha família, da minha casa.

Eu poderia começar do início, com a minha mãe chorando no aeroporto, meu pai me mandando um aceno e eu me metendo em um avião que não tinha nenhum brasileiro na tripulação, mas — como a urgência do que sinto nesse exato momento pede um texto — vou ter que pular alguns episódios, como o acima descrito, e chegar ao fator “mix de nacionalidades”. Mais tarde eu escrevo sobre os demais acontecimentos.

Em Dublin, como muitos sabem, existe uma imensidão de brasileiros. Quando fui fechar o meu pacote de intercâmbio, optei pela escola que foi vendida como a que tinha menos brasileiros, justamente para poder fugir da língua portuguesa um pouquinho e tentar mergulhar em outras culturas com a ajuda do pouco que eu sei de inglês.

Confesso que funcionou. Afinal, a International House me ofereceu logo de cara uma recepção que não fala em português, professores que não falam em português e uma sala de aula com uns 12 alunos, dos quais apenas 3 eram brasileiros.

Inicialmente, tínhamos também na minha sala 3 italianos, 2 turcos, 1 emiradense, 1 francês e 2 sul-coreanos. A professora do primeiro período é irlandesa e a do segundo período é inglesa. Coisa de louco mesmo. Hoje, com uma mudança que aconteceu na sala de aula — a cada semana, uns alunos saem e outros novos entram — temos uma mistura um pouco diferente. Agora somos 2 brasileiros, 2 italianos, 2 turcos, 3 sul-coreanos, 1 espanhol, 2 emiradenses e 1 francês.

E não pense que eu fico cercada dos meus amiguinhos brasileiros, não. Como as professoras sabem as nacionalidades da galera, elas tentam ao máximo construir duplas e trios que misturem todo mundo. Juro que eu até esqueço que fulano e ciclana é brasileiro. Só vou e falo em gringolês mesmo. É o máximo hahahaha.

Com esse mix de nacionalidades, além de ser obrigada a falar em inglês a todo o momento, também acabei aprendendo sobre a cultura de todos esses países. Descobri, por exemplo, que a maioria das pessoas em Dubai acreditam em fantasmas, têm famílias realmente grandes e possuem motoristas particulares. Na França, as famílias são menores e o nome Yara é totalmente estranho (mas comum em Dubai). Na Itália, existem regiões que não se entendem, de tão diferente que são os seus sotaques. Na Coreia do Sul, eles comem arroz até no café da manhã. E na Espanha, as famílias já receberam verba do governo para terem mais filhos, mas hoje não recebem mais e as famílias são pequenas, como na França.

Além de conhecer sobre outras culturas, acabei conhecendo sobre a minha própria. Sabe o costume de dar beijinhos no rosto quando você conhece alguém? Esqueça, se não quiser ser conhecida como beijoqueira na Europa. Nossa mania de sorrir e tentar esbanjar simpatia com pessoas que mal conhecemos? Clássica coisa de brasileiro. Feijoada e caipirinha, então, são paixões mundiais.

Ah, e meu nome é meio que internacional (todo mundo conhece e sabe pronunciar Jéssica) e o Brasil ainda é mundialmente conhecido como o país do futebol (mesmo depois do 7x1, dá pra acreditar?).

Além disso, como eu estou morando em uma residência estudantil — Egali House, já que vim pela Egali — estou morando com nada menos que uns 35 brasileiros. Entre eles, há mineiros, fluminenses, paulistas, baianos, maranhenses, piauenses, catarinenses, amazonenses, cearenses, gaúchos… tem de tudo um pouco. E isso também tem sido uma delícia em questão de conhecimento. Por exemplo: comprei mexerica e a carioca chamou de tangerina. Tem quem suporte o frio de Dublin com mais facilidade que os outros (o povo do nordeste e do norte estão sofrendo loucamente). Paulistas e Cariocas são os vizinhos mais diferentes que eu já conheci. A galera do sul tem uma educação realmente diferente da do resto do país. Há muito machismo e muito preconceito ainda enraizado no Brasil, algo longe de ser resolvido. No entanto, tem uma coisa que todo brasileiro sabe fazer: se divertir pra caramba, onde quer que seja e no perrengue que for.

Hoje, fora da sala de aula, fui passear e almocei com um mexicano e uma italiana. Amanhã não faço ideia de que cultura e de quem eu vou encontrar nessa jornada. E, confesso, essa é a graça!

Ah, e sobre os irlandeses, tenho trombado com eles nos estabelecimentos e nas baladas. Em geral, são simpáticos com os brasileiros e — infelizmente, também em geral — têm um certo cuidado a menos com a higiene que nós. Mas confesso que com tanta nacionalidade misturada aqui na terrinha deles é difícil identificar um irish de verdade. Quando encontrar e conseguir uma amizade legal eu conto aqui procêis.

Não sei como é viajar para algum outro lugar do mundo. Mas, como uma jornalista paulistana, estar em Dublin tem sido um sonho em questão de línguas, culturas, histórias, pessoas, costumes… É uma cidade realmente barata para a maioria das nacionalidades e, por isso, tem de tudo aqui. Para quem tem essa vontade de se jogar e não se sentir um total peixe sozinho fora d’água (afinal, aqui todos somos), pode vir que tá valendo. Não vai ser fácil, mas vai ser memorável. Sobre as dificuldades? Escrevo no próximo post. ;)


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