Réquiem para Eduardo e Mônica

(Fanfic inspired by a Legião Urbana´s song [a brazilian rock group])

Como na antiga mesa de botão, avô e neto passavam os pecados a limpo.

Texto de Jeison Karnal
Ilustra
Emerson Wiskow

Foi um choro seco o de Eduardo, em frente à lápide do avô, no Cemitério Campo da Esperança. Sentia-se acossado, o ladrão Michel Poiccard, de que a ex tanto falava. Havia muito Mônica deixara de ser a vibrante leonina. Tornara-se uma socorrista obstinada sem tempo, sem poesia, sem Godard. Salvava vidas estranhas, não resguardava a dos próprios gêmeos.

De pé como um cowboy, ante o mármore, Eduardo suava conhaque. Meditava. Os cabelos escorridos reluziam fios brancos espiralados. Como na antiga mesa de botão, avô e neto passavam os pecados a limpo. Nunca terminaria o curso de inglês. O mundo, uma grande festa, estúpida, com gente esquisita. Ele mesmo, esquisito. Para onde tinha ido aquela atraente motoqueira de cabelos pintados? O tempo tinha engolido. O destino de todo caso de amor era enredar-se até o estrangulamento, como nas novelas que assistira.
 
Um homem interrompe. Aproxima-se da sepultura. Cutuca Eduardo: 
- Desculpa aí, cara, mas você não é aquele da música do Renato?
- Eu? Sim… dizem que sou. Um dia eu fui, pelo menos. Não sou mais...
- Como assim, cara … Ah… E por onde anda a Mônica? Tão juntos ainda?
- Aquela Mônica? Ah… Acho que ela nem existe mais... Se é que algum dia existiu. A mulher que você procura ficou presa lá naquela canção idiota.

(Publicado no Diário de Canoas em 14 de julho de 2017)

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