Ziraldo maluquinho, menino aos 85

Cartunista fala da voz eterna de uma infância manifesta nos livros

Texto de Jeison Karnal

Deus se comunica com a gente é pelos livros, não por uma visão

PING PONG!!!!!!!

Com o é dialogar com a infância aos 85 anos?

A maior sacanagem com o idoso é chamar essa fase de melhor idade. Aos 85, a gente fica meio ranzinza, cansa mais, tem insônia, a saúde não é a mesma. Os japoneses diriam que eu estou vivendo o 86º ano de vida, não 85º. Cada vitória é mais divertida que na juventude, pois eu sei que estou fazendo o melhor que posso. Com a cuca boa a gente realiza e enfrenta numa boa.

Ainda se considera um menino?

Sou um autor infantil. Me formei em Direito, mas a vida me levou aos quadrinhos. Se existe algo que eu conheço (e fui na vida) é menino. Sempre fui menino! Entendo pra burro de infância! Para escrever o livro Meninas, conversei com elas, saquei seus sentimentos, li Alice no País das Maravilhas, do Caroll. O livro Meninas é uma experiência de outro lugar de fala.

(SEGUE DEPOIS DA IMAGEM DO LIVRO)

Como despertar o interesse pela leitura?

Há mais livros escritos que estrelas no céu. Deus se comunica com a gente é pelos livros, não por uma visão. A velocidade do mundo aumentou, talvez o livro tenha outro suporte, talvez seja acionado por um botão na parede de casa. Em dois mil anos, mudou quase nada. As histórias ouvidas e contadas, a poesia, essas sempre existiram e sempre vão existir. Tem que discutir é a democratização, o acesso aos livros. Ler é mais importante que estudar. O livro contém a vida: vira a página é o tempo; para na página é o espaço.

O quem para dizer os pais e crianças que irão vê-lo na feira?

Só tenho uma mensagem, não sou dos Correios. Os pais também têm que ler. Por meio dos textos, a gente faz permanentemente uma viagem interna. É a busca do autoconhecimento. Um dia um livro vai revelar-se para você, esse autor estará falando contigo. A leitura é a grande aventura humana. O livro é eterno, promove o convívio com a gente mesmo. As pessoas tem que perceber, nem todo mundo sabe disso ainda. Os leitores são privilegiados.

(Publicado originalmente no Diário de Canoas de 23 de junho de 2017)