O medo do NÃO é (muito) pior do que o NÃO que realmente vem
Sabe, às vezes a gente se subestima. Temos tanto medo da não aceitação, da não realização, da não adaptação que quando as coisas realmente não saem como a gente esperava, a frustração real é muito (mas muuuuuito) menos dolorida do que toda aquela expectativa e tensão que a gente depositou antes de a situação se definir.
Perdemos tanto tempo e gastamos tanta energia nos debatendo com o temor sobre a hora que o sofrimento pode chegar. O pior é que essa angústia não agrega nada: compromete nosso presente e não faz diferença alguma sobre os rumos do futuro. Antes fizesse. A sofrência antecipada não seria em vão.
Se o futuro se realizar dentro do que a gente esperava, sofremos antes à toa. Se não se realizar, paciência! O sofrimento já queimou largada e, provavelmente, todas as hipóteses mirabolantes que tanto nos tiraram a paz não chegam nem perto do que realmente aconteceu e nos frustrou. Uma coisa não dá pra negar: nossa criatividade é imbatível para pensar em possibilidades pessimistas.
Veja que, de qualquer forma, quando o sofrimento tem que vir, ele virá. Não temos controle. Não temos escolha. Entretanto, temos controle e escolha, sim, sobre a hora em que vamos enfrentar esse possível sofrimento: se antes, com o medo do sofrer, ou, se depois, quando (e se) o sofrer se materializar.
A questão é que se somos pegos pela ansiedade do sofrer antes, corremos mais riscos. O maior é, sem dúvida, o de desistir de um caminho por conta do medo. Outro risco grande é o de perder a espontaneidade nas nossas ações.
Quando desistimos de um caminho que temos genuinamente vontade de percorrer, estamos fazendo uma das piores coisas que podemos fazer: não estamos dando chance para a vida. Desistindo de tentar, o saldo é sempre negativo: ou abrimos mão da chance de conseguir o que queremos ou abrimos mão da chance de aprender o que precisamos.
E quando perdemos a espontaneidade nas nossas ações, nos perdemos no caminho antes mesmo de começar a percorrê-lo. Ao perder a espontaneidade, nos perdemos de nós mesmos. E, quando isso acontece, qual o sentido de seguir? Para onde ir? O que é chegar lá?
O medo vai sempre existir. É uma condição humana e tem também seu lado positivo. Nos torna alertas e realistas em relação aos altos e baixos da vida. Entretanto, a sabedoria está em aprender a dosar o sofrimento gerado pelo medo.
É o sofrimento que nos paralisa e não o medo em si.
Da próxima vez que tivermos uma vontade genuína, daquelas que brotam lá do fundo, vamos repensar a forma como vamos lidar com a possibilidade de que ela não se realize. Vamos lembrar que está nas nossas mãos escolher deixar o sofrimento para a hora que ele efetivamente tiver que vir.
E se ele não vier?
Vai ser a hora de aproveitar mais um dos tantos presentes que a vida nos dá.

