Sobre criar coragem e começar a viajar sozinho

Se você pensar bem, viajar é mais uma experiência sensorial do que qualquer outra coisa. Nossos olhos enxergam cenas totalmente diferentes do nosso dia a dia; nosso nariz respira novos ares; nosso paladar descobre outros sabores; nossos ouvidos escutam vozes até então desconhecidas e nosso tato se deleita com novas temperaturas e texturas, da água, da areia, da grama.

E são essas tais experiências que nos trazem a deliciosa sensação de liberdade que nos toma enquanto estamos viajando. Viajar é aquele período em que paramos de nos debater para ficar e, finalmente, nos permitimos partir. Querer partir é um pedido que vem de dentro. É foda segurar.

Viajar com amigos, a dois ou em família é uma delícia. Não estou aqui hoje para questionar isso, mas, sim, para convidar você a experimentar tudo isso, pelo menos uma vez na vida, sozinho ou sozinha.

Quando você viaja sozinho, você é o senhor da porra toda, desde as escolhas do roteiro do dia até os pensamentos que vão te acompanhar ao longo do caminho. Você decide a hora que vai sair e a hora que vai chegar, escolhe o que vai comer, decide ir ou desistir, muda de planos e, se ficar em um hostel, por exemplo, ainda tem a chance de querer ficar junto também, se enjoar de ficar sozinho.

Mas o mais incrível de tudo isso é guardar suas próprias memórias. Memórias que não serão compartilhadas com ninguém, a não ser que você queira.

Passei esse final de semana em Paraty e trouxe comigo de volta uma infinidade de boas memórias. Uma delas vou compartilhar aqui com vocês.

No caminho de volta de Trindade, já era tarde da noite e o ônibus estava com as luzes internas queimadas. Todo mundo entrou correndo, todos ávidos para voltar e tomar um banho depois de um dia lindo de praia, afinal, já estávamos esperando há mais de duas horas, enquanto éramos devorados vivos por borrachudos e surpreendidos por um poste de luz que começou a pegar fogo.

A estrada sinuosa e estreita tinha altos e baixos e o motorista, também com pressa para ir embora, sentou o pé no acelerador, arrancando gritos e piadas da turma do fundão, onde eu obviamente estava. Parecia uma montanha russa.

Estávamos rindo entre desconhecidos e cantando música alto, no momento em que dividimos meu momento mais bonito da viagem. De repente, não conseguimos não olhar pela janela. Uma lua cheia enorme, de um jeito que eu nunca tinha visto antes, emanava raios brilhantes que iluminavam o breu da estrada estreita enfiada no meio da Mata Atlântica, sem postes de luz.

Por alguns segundos, simplesmente paramos de falar, de brincar e de cantar e ficamos hipnotizados pela luz daquela lua. Nossos olhares ficaram fixos para fora e cada vez que uma árvore ou montanha entrava na frente, ficávamos desesperados procurando a lua no céu e esperando até ela aparecer de novo.

Escolhi não tirar foto desse momento. Não pude, na verdade, já que eu estava imersa demais nele. Mas guardei ele para mim bem aqui dentro e sei que nos próximos anos, cada vez que eu lembrar desse dia, vou sorrir e, ao fechar os olhos, vou ver aquela lua como se ela estivesse aparecendo do lado de fora da janela do meu quarto.

Obrigada, Trindade! Obrigada, Paraty! Foi lindo!

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