Mas eu não digo…

Te via sempre por muito tempo. Não sei como nem por que, mas você estava aqui. O que mais me intrigava era a mistura de sentimentos que causou em mim, tijolo por tijolo formando o que eu não sabia que poderia existir: tão forte e tão frágil.

Te olhava e te via. Sorria, ouvia, assentia mas nunca dizia. Te observava de uma forma que nunca me ocorreu, confiava em ti de olhos fechados. Eu que era toda torta, me encaixava no seu molde que quase beirava a perfeição. Todas as minhas convicções caiam por terra, ao mesmo tempo você me fez criar novas e querer coisas absurdas. Contigo me sentia livre e louca de vontade de me prender no teu abraço.

Mas eu nunca dizia, nem digo. Fechei os olhos, rompi os sentidos para nem sequer abrir a boca e proferir as palavras que eu queria. Me convenço de que as minhas ações bastaram para o seu entendimento, porém assumo que via demais, sentia demais, e falava de menos. Carreguei essa culpa por um tempo. Te via bastante e mal enxerguei que os dias não se arrastavam como eu esperava. Sendo bem sincera, eu achei que você tivesse entrado para o meu top 10 de desilusões. Não foi bem assim. Você não será meu texto mais sofrido, ou detentor dos maiores rios que eu já chorei. Ocupaste um espaço peculiar na minha história, isso não nego. Não o maior, nem o menor, um só seu. Mas isso você jamais saberá, até porque já não tenho mais o que dizer.

No som das palavras que nunca foram faladas, espero que você ouça por aí, bem cantado e ritmado, o adeus que eu não tive coragem de dar.

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