Não, Jout Jout. O problema não é dos Desenvolvedores!

Difícil achar quem não conheça ou já tenha ouvido falar de Julia Tolezano, a Jout Jout Prazer, que faz ótimos vídeos no YouTube sobre os temas mais aleatórios possíveis: desde um tutorial sobre como enxugar as mãos de forma ecológica a estimular o empoderamento feminino com “Não tira o batom vermelho” — vídeo que apresenta traços marcantes de relacionamentos abusivos e leva seus espectadores a refletirem sobre tal assunto.

Recomendo muito e sou extremamente fã do canal, mas o último vídeo postado por ela me atingiu diretamente, e levei a crer que apresentou um teor desnecessário. “Desenvolvedores, uma dica” me chamou para a discussão e obrigou a observá-lo e me posicionar, visto que estou estudando Análise e Desenvolvimento de Sistemas (Assistam o vídeo aqui).

Ela apresenta uma problemática bem curiosa: vai a um restaurante, faz um pedido um pouco mais específico (mas é muito pouco mesmo!) que aqueles existentes no cardápio e que acaba sendo inviabilizado com a justificativa de que “ a opção desejada não existia no sistema”. Ledo engano, Jout Jout!

Observando o caso, fica claro que o episódio não está diretamente ligado à ineficiência do sistema utilizado. Podemos enumerar algumas hipóteses:

  • Muitos estabelecimentos adquirem softwares prontos, não-customizáveis, que possuem menor custo do que um sistema desenvolvido e implantado de acordo com pesquisas, testes e a demanda da empresa. Reforçando essa ideia: um sistema pode sim ser personalizado através dos objetivos do seu negócio e do tipo de resultado e/ou atendimento que se deseja ter, o que não justifica a causa do problema apresentado ser exclusiva ou necessariamente os desenvolvedores;
  • Sempre existirão profissionais despreparados que não se preocupam com a entrega da qualidade do seu produto ou serviço, sem cumprir etapas essenciais para um bom funcionamento, e esse tipo de situação está disposta a acontecer em qualquer profissão que seja, em qualquer área que seja;
  • Um sistema mais flexível muitas vezes é visto pelo cliente como muito complexo, e daí vem o despreparo de muitos usuários ao utilizá-lo, isso reflete também em um custo de treinamento que muitas vezes não é considerado pelas empresas para uma boa interação homem-máquina;
  • A atendente não quis ser cortês, coisa bastante comum, e colocou a culpa no sistema. O pedido era simples, bastava registrá-lo como um adicional qualquer sem maiores problemas. A questão me parece ser muito mais condizente com um péssimo atendimento do que problemas relativos ao sistema;
  • Se a Jout Jout estivesse realmente com fome, teria posto ela mesma o Polenguinho no pão, que teria sido registrado como um adicional qualquer, teria comido sem maiores problemas e não geraria assunto para um vídeo que culpa e generaliza desenvolvedores por um atendimento de UMA empresa específica que não tem preocupação alguma em agradar e fidelizar seus clientes.

Um sistema poderoso, complexo porém simples já existe: o ser humano. Adaptável, inteligente e que corresponde a inúmeros requisitos que se façam necessários. Com amabilidade e gentileza que complementam qualquer máquina em seus procedimentos. Fica a dica!

P.S.: Faço o primeiro período de TADS, então ainda estou engatinhando nessa área. Contudo, peço desculpas por algum conteúdo errôneo e/ou raso. Vamos aprendendo!

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