O abismo é meu lar

Em casa nos sentimos confortáveis, temos alimento, lugar para dormir, proteção e aconchego. Encontrei no abismo infinito — ou nem tão infinito assim — um jeito de sobreviver, não consigo sair daqui, mas é nesse lugar que sei onde encontrar o que preciso.

Não sei o que as pessoas pensarão sobre isso, mas eu não posso fazer muito por elas, afinal, estou caindo constantemente e já me acostumei com isso. Não adianta jogar corda — eu teria uma parada brusca—não adianta gritar por mim, já não ouço ninguém a não ser as batidas do meu coração, que está fraco, mas resiste.

Eu não quero ter que lutar mais, já faço isso, ainda respiro, ainda sinto mesmo que pouco. Vocês só precisam saber que eu fiz do eterno cair a minha casa e que não sei quão próximo está o fim e só descobriremos quando tudo acabar.

Jeniffer Noronha

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