Senar- RS: mais eficiente que o Bolsa Família?

Alunas do Senar foram até a 40ª Expointer de excursão

“ Acredito que o SENAR seja uma das poucas coisas que funciona no Brasil”, afirma Ana Cristina Trois, Auxiliar Técnica de Formação Rural da casa do SENAR, na Expointer.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul, (SENAR), é a instituição pública que vem tendo um papel fundamental na vida do trabalhador do campo, promovendo mais de 170 cursos nas áreas de agricultura, silvicultura, pecuária, aquicultura, agroindústria, agrossilvipastoril, segurança do trabalho, artesanato, educação, alimentação e nutrição, além de programas na área de formação profissional e de atividades de promoção social.

Do retorno financeiro ao resgate da auto estima. Foi esse rumo que a a história de Ana Maria da Rosa tomou lá em 2004, quando a moradora de Taquari conheceu o Senar e começou a frequentar o seu primeiro curso na área rural.

“ Eu amo o Senar!”, disse dona Maria, com os olhos lacrimejados antes de afirmar que possui uma boa economia, já que atualmente trabalha na plantação de alface e sabe produzir diversos artesanatos. “Faço meu dinheiro , trabalho sem veneno, sem adubos, isso é muito legal. Estou fazendo a minha casa que já está quase pronta com dinheiro da roça”, conta.

Mesmo com seis décadas de vida, a mulher que demonstra sentimento de gratidão pela instituição , se considera uma guerreira e garante não ter o menor cansaço. Ela acredita que os cursos de alimentação e nutrição que já realizou teve grande impacto nesse aspecto.

“A minha saúde é muito boa. Eu não tenho canseira pois eu aprendi a me alimentar bem. E eu consumo meu próprio produto que é maravilhoso.”

Em Esteio, dona Ana não estava sozinha. Uma das pessoas que a acompanhava era Renilda Kern da Rosa, a aposentada de 59 anos que também frequenta os programas do Senar e atualmente trabalha em um ateliê de artesanatos, em Taquari, de onde extrai uma renda extra. “O Senar é tudo para nós”, exclamou ela.

PROGRAMA ALFA: o resgate do passado por um futuro melhor

Oportunizar adultos que vivem e trabalham no campo e que possuem baixa escolaridade, a chance de aprender a ler e a escrever é o grande objetivo do Programa Alfa, oferecido também pelo Senar-rs. A iniciativa já foi reconhecida em vários prêmios de responsabilidade social, bem como, o Top Cidadania ABRH, em 2009, o Oswaldo Checcia, ABRH Nacional, em 2010 e o Top de Marketing ADVB, em 2011.

Com o aprendizado da leitura e da escrita, Ana Maria Vargas, de 63 anos acredita que esse fator tem extrema importância para desfrutar de condições melhores de vida.

“ O Senar está resgatando muito coisa do passado. Eu estudei pouco, até a quinta série. Depois eu trabalhei e não tinha condições de estudar, mas agora essa parceria nos ajuda demais. Sou aposentada e moro numa chacrinha em Santo Antônio da Patrulha. É muito bom voltar a estudar, isto ajuda até a viver melhor e tenho mais disposição. Eu definiria este projeto em esperança de um futuro melhor.”

Gircela Kauer é professora do programa Alfa em uma das unidades de Santo Antônio da Patrulha, e a autonomia que seus alunos da faixa etária de 18 a 60 anos conquistam por causa das aulas é algo que tem motivado Gircela. Atividades como, ir ao mercado e saber os preços dos produtos, saber as correções que eles devem fazer nos seus próprios textos depois da revisão de professora, além da melhora na ortografia e no principal, na socialização, são algumas das mudanças nos alunos da região metropolitana de Porto Alegre.

Nem tudo são flores: um olhar para quem educa

Normalmente no mês de março, os educadores sociais do Senar realizam uma formação em dois dias antes de cada curso.

A professora Gircela Kauer, gostaria que o período com os professores antes do início das aulas fosse mais longo, já que as aulas são proporcionadas para pessoas de diferentes idades e as dificuldades não são iguais.

“Poderia ser mais longo , no inicio ou durante o processo. Pois não são adolescentes. São pessoas com uma certa idade, como cuidar, atender aquele que já tem 60 anos, a questão da falta de vista, temos que estar bastante atentos a isso. No dia-a-dia parece tão normal pensar num grupo de sala de aula onde todos são iguais, mas quando temos pessoas de 20 e de 60 anos juntas é mais complicado. Então poderíamos estar continuamente nos aperfeiçoando.” Criticou Gircela, que solicita mais encontros entre os educadores.

De acordo com um dos colaboradores do Senar, na Expointer, os instrutores não ganham diárias para ministrarem cursos ou realizarem alguma atividade da instituição em outras cidades. Ou seja, se eles precisarem viajar de Porto Alegre até Uruguaiana, por exemplo, para ministrarem um curso, os professores irão receber somente pela carga horária dessa atividade, as despesas com alimentação, hospedagem e deslocamento não são repasadas para o funcionário.

A diferença do benefício do governo brasileiro, Bolsa Família para o os programas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural é que o o primeiro benefecia diversas famílias de baixa renda com o repasse mensal de um salário mínimo, e o segundo atua diretamente na capacitação do inidíviduo que contribui ativamente para a maior fonte de economia do país, a agroindústria. Contudo, gerando renda e mudando a vida do trabalhador rural.

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