“Desculpe o transtorno, preciso falar de Irandhir…”

É assim, parafraseando *Gregório Duvivier, numa súbita crise de ausência de criatividade, que começo a descrever minhas muitas e emocionadas impressões de Irandhir Santos.

O ator pernambucano, que a pouco encerrou sua mais recente participação na TV, na novela ‘Velho Chico’ - vivendo o político honesto e apaixonado por sua Beatriz (Dira Paes), Bento dos Anjos - Tornou-se, em pouco tempo, motivo de minha admiração e encantamento. Afinal…Irandhir é ATOR, é ARTE pura e escancarada! Nunca vi, em relativo pouco tempo de vivência, um olhar falar tanto, quanto os olhos desse ator, em cena.

Recentemente em uma crítica, a respeito do filme ‘Redemoinho’ de José Luiz Villamarim, que tem Irandhir no elenco… **Luiz Carlos Merten definiu: “Dois dos maiores atores brasileiros, contemporâneos.” — Referindo-se a Irandhir Santos e Júlio Andrade.

Não saberia externar, melhor. Merten foi sucinto, objetivo, definiu sem maiores delongas, aquilo que tento dizer, aqui. São muitas impressões:

Vejam! Em uma noite qualquer, “zapeando” pela enfadonha programação televisiva, PAREI no ‘Canal Brasil’, que exibia ***“A história da eternidade” e mais uma vez, fiquei ali, a me perguntar, como ele consegue?! O elenco reunia atores excelentes, me deixando imersa em arte pura.

O cinema parece ter sido feito para Irandhir, pra sua arte e atuação. Ambos se completam, conversam… Se exigem e se correspondem. Raridade de ator. Tanto, que a televisão tem se encantado por ele… Olha o Bento dos Anjos, que riqueza de personagem! Texto e direção afinados e atuação impecável! A oratória de Bento era inspiradora, forte e Irandhir brilhou. Entre esses, como esquecer do matuto Zelão da fábula televisiva, “Meu pedacinho de chão” — Toda a sequência em que Zelão ler pela primeira vez, é linda. Homem feito que era, apaixonado por Juliana, aprendeu a ler tardiamente, e mostrou toda sua recente aprendizagem, lendo uma carta escrita por sua amada… Com todas as vírgulas e pontos, devidamente ditos!

A atuação é algo bonito demais. Bem feito, bem construído, encanta mesmo. Mas tem atores, que tem o dom, uma luz diferente, que envolve quem assiste. Irandhir é assim… Os espectadores são brindados com uma certa magia, uma doação singular de um intérprete que se veste com seus personagens.

Certamente um estudioso de seu ofício, dedicado e cuidador de seu talento. Ele fez do dom, trabalho. Poderia atribuir a ele, o clichê de “ator visceral” - Mas prefiro chama-lo de Ator GRANDIOSO! Minhas divagações, sensações podem parecer reações próprias de qualquer fã, ávido por atenção. Mas não! Irandhir é ARTE… Trabalho, atuação e emoção… ARTISTA puro! E deixo aqui, minha admiração.

Daiane Anselmo

Referências:

*“Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice” - Gregório Duvivier — 12/09/2016 - Fonte: Folha.

**“Festival do Rio/O Redemoinho que nos representa” - Luiz Carlos Merten - 09/10/2016 - Fonte: Estadão.

***“A história da eternidade” - Filme premiado (2014) de Camilo Cavalcante.