“Não se assuste, pessoas… Talvez, não seja mera coincidência.”

A novela de Maria Helena Nascimento e direção artística de Dennis Carvalho - “Rock Story” vem confirmando a agradável sensação de que, finalmente temos uma boa história pra assistir e sobretudo, entreter, nesse horário de transição televisiva combinado com o, pra muitos, enfadonho horário de Verão.

A recente trama da faixa das 19h, traz como pano de fundo: A música. E tudo que permeia o cenário musical, brasileiro. “Rock Story” tem sim, seus atrativos folhetinescos, suas nuances e tramas, alicerçadas num texto simples e de clara evidência, para um melhor entendimento do público.

Mas, a saga do roqueiro Gui Santiago, tão bem vivido por Vladimir Brichta - (Que segundo a autora, a história do seu protagonista, foi inspirada na biografia de um dos integrantes do ‘One Direction’) - expõe o lado nada simpático da indústria da música nacional. “Rock Story”, tece ora com sutileza, ora com acidez - uma crítica muito inteligente aos modismos e mesmices musicais que, sofrem um processo de massificação por parte da mídia, gravadoras, empresários e afins, que vendem esses, como o sucesso do momento.

Vejam Leo Régis - interpretado por Rafael Vitti - ele é o estereótipo de “cantores” que, dominam todas as mídias. O astro pop/romântico, tem uma legião de fãs, em sua maioria, meninas na flor da adolescência, que vivem suas vidas, em função desse ídolo.

Leo é puro ego. O garoto “se acha”, vive numa bolha, é tratado como uma mina de ouro, pelo seu empresário Lázaro (João Vicente de Castro)… E bajulado pela família. Retrato típico e taxativo de muitos jovens que enriquecem as custas de uma carreira construída a base de um roteiro, digno de cinema.

A novela ainda expõe, o quão mercadológico é o cenário musical do Brasil - Faze-se sucesso, aqui, aquilo que vende, ou aquele que gera lucro. Esse “sucesso” não é gratuito e nem pouco trabalhado - ele é visto. O poder das visualizações, dos likes e das mídias em torno, é o grande aliado dos “bolas da vez” da música. E quem não atende essa demanda, dança! Vide as demissões promovidas pela “Som Discos” - gravadora fictícia da novela.

Há naturalmente, um conflito de gerações. Gui é das antigas, um roqueiro que já teve seu auge. Um tanto inconsequente, cheio de nuances… Mas boa praça. O personagem de Brichta é carismático e fácil de se gostar - Isso vem de encontro com o jovem, ex-frentista e agora famoso, Leo Régis. Este, vive em uma nuvem de ego… O moço é babaca, quase que por natureza. Mas não chega a ser, má pessoa.

Numa visão maniqueísta, Leo e Gui, representariam duas forças… A disputa que há entre eles, é muito mais por influências externas, do que por ideologias próprias. Na música, a história é basicamente a mesma. As influências são muito mais presentes. Fecha-se os olhos, para o que há de verdade.

“Rock Story” tem o dom de usar a sutileza, pra tratar de um assunto, tão recorrente nas rodas de conversa. E usa a acidez, nas vestes de uma Diana (Alinne Moraes) ou até mesmo, de um Lázaro, pra clarear e desalienar o público, rotulado de “grande massa”.

Que bom que temos “Rock Story” e que de fato, não nos ASSUSTE. Que não se perca!

Daiane Anselmo

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