Afinal se escreve textos para cliques ou leitores?

Não queremos que ocorram cliques em nossos textos, queremos leitores para aquilo que amamos fazer: contar histórias

No final de 2016 me engajei em um desafio: construir um jornal diário. De fato é um desafio e tanto, mesmo para uma cidade como Caxias do Sul (RS) que tem pouco mais de 400 mil habitantes. Aqui as notícias não correm na mesma velocidade dos grandes centros, por isso a cidade tem somente apenas dois jornais diários impressos.

Sabia que um jornal diário igual aos outros dois que estavam na praça seria “chover no molhado”. Precisava construir algo novo, inédito, onde as pessoas pudessem ler e sentir a notícia. Usei como base para este projeto um site de artigos que mantive durante alguns anos, com diversos textos de minha autoria — a grande maioria reflexivos — sobre inúmeros temas diferentes. Analisei bem sobre assuntos e matérias que podemos colocar no jornal, porém não querendo falar o mesmo que os outros.

Para isso desenvolvemos um jornal colaborativo, onde as pessoas que tivessem a intenção de escrever sobre qualquer assunto podem lançar mão de suas ideias. Hospedamos nosso site no Medium para facilitar o acesso a leitura das pessoas. Em outras palavras esse é nosso objetivo engajar as pessoas a lerem nosso conteúdo, se emocionarem com as palavras, formarem opinião com os textos. Não buscamos os cliques aleatórios, aqueles que leem somente a manchete (headline) e saem por aí compartilhando por todos os lugares sem ao menos verificar uma linha do texto que contém o link.

Mesmo assim nossos textos são curtos comparados com a grande maioria que circula no Medium diariamente. Em média escrevemos textos com 5 minutos de leitura. Isso acontece porque somos um jornal diário, não podemos permanecer com a atenção do leitor por mais tempo como um romance. Precisamos informar nosso leitor daquilo que ocorre no seu dia a dia, mas sem enrolar ele com termos técnicos ou headlines de impacto.

Escrevemos para as pessoas lerem. E como isso está em falta. A busca por cliques e o “engajamento” do marketing digital fez com que nos distanciássemos do bom texto. Preferimos agora uma manchete bem elaborada, de preferência que cause espanto e medo. Então teremos milhares de pessoas compartilhando um link aleatório e solto, sem vida. Alguns até mesmo se atrevem a comentar o link aleatório como se fossem especialistas no tema descrito, sem nem mesmo ter lido uma linha da matéria.

Por isso no Jornal Sete você encontra notícias com história. Não priorizamos seu clique, seu compartilhamento. Queremos e almejamos que você leitor leia nosso conteúdo, comente aquilo que está no meio das linhas do texto. Nossa principal métrica não são as visualizações de nossa página, são os minutos que os leitores passaram lendo nosso texto.

Ficamos felizes que nos últimos 30 dias tivemos 2.143 minutos de leitura em nossos textos, menos que as visualizações em nosso site (em torno de 1.400). Os leitores (de carne e osso) importam muito mais que nos cliques, eles são nossa fonte de inspiração para continuar escrevendo e contando mais histórias. Do contrário, adiantaria histórias sem haver leitores?

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