Querer um consumista ou consumidor?

Nem sempre um consumista pode trazes vantagens para uma marca.

Verdadeiro acúmulo de bugigangas. Um sem fim mundo de quinquilharias. Muitas vezes o ato de comprar acaba de tornando o ato de acumular. Graças as fortes campanhas de marketing onde a aquisição de um produto serve muito mais que o uso dele mais e mais pessoas acabam comprando aquilo que não precisam. Desde jarra elétrica até panela de pressão para micro-ondas, diversos itens se acumulam nas lojas e em nossas casas.

Alguns colocam a culpa nas campanhas de marketing desenfreadas -que mesmo não isenta de culpa- não é algoz de todo mal. Poucos sabem, mas o marketing trabalha com o uso da emoção para aquisição de qualquer produto, sendo que isso faz parte do processo de compra de qualquer pessoa. Nem sempre aquilo que compramos vamos precisar, por isso profissionais de marketing pensam formas de atrair seu público através do desejo de comprar.

Errado? Não. Graças ao desejo de comprar acabamos produzindo produtos melhores e mais objetivos, tornando assim o mercado mais dinâmico e com isso incentivando o consumo.

Mas entra em cena a figura do cliente, que é o real detentor do poder de compra. Ele decidirá se irá ceder a pressão das campanhas de marketing ou simplesmente irá deixar o produto na prateleira como se nada tivesse ocorrido. Por este motivo cada vez mais os profissionais de marketing buscam formas de tornar produtos desejáveis. Porém para tanto não basta somente uma boa embalagem, um bom slogan e pimba! Venda realizada.

Conhecer o cliente se tornou fundamental.

Redes e os consumidores

Na tentativa de conhecer melhor quem compra os produtos, profissionais de marketing estão caindo de cabeça nas redes sociais. Conceitos como inbound marketing, marketing social, content marketing e outros pipocam por todos os cantos. Neles tem por base a criação de personagens para adquirir os produtos, facilitando assim a comunicação espontânea e direta de cada marca com seu potencial cliente. Dessa forma campanhas de marketing se tornam mais direcionadas e conversam mais facilmente com seus clientes.

Com engajamento na comunicação social, empresas querem buscar seus clientes diretamente em seus smartphones ou computadores. Assim criam perfis ou páginas nas redes sociais e trabalham em campanhas que simbolizem muito mais que o desejo por si só. Querem que seu produto seja algo utilizado no cotidiano, que faça parte constante na mente dos clientes potenciais.

Mas isso já em parte passado. Graças ao advento das tecnologias modernas de inteligência artificial diversas empresas começaram a utilizar robôs para conversar com seus clientes. De maneira simples estes anotam pedidos, conferem produtos, relatam promoções e tiram dúvidas, mas não são humanos. É a evolução do atendimento eletrônico dos call centers, onde o prospect acaba realizando seu processo de compra juntamente com uma máquina. Muito melhor que vending machines!

Entretanto a customização da comunicação é fundamental para angariar mais clientes, e despertar nele o desejo por um produto ou serviço. Estranho dizer, mas ainda é necessário um bom papo e nada melhor que o Facebook e Instagram para isso.

Novos adeptos reais

As redes sociais não são somente um amontoado de palavras, também utilizam imagens e estas refletem muita coisa. Criar o desejo no cliente por meio de conversa não tem o mesmo impacto que uma foto bem produzida.

Por meio de blogs marcas se posicionam para seus prospects, levando além de um ideia de consumo, conteúdo exclusivo. Meninas que batiam fotos de seus “looks” nas redes sociais acabaram se tornando consultoras de moda online, mas com o um toque se simplicidade e proximidade com o cliente final.

Os clientes acabam observando que a blogueira de moda é uma pessoa comum, assim como ele. O consumo portanto não fica mais atrelado ao status ou glamour, mas sim voltado para um público que prefere consumir aquilo que uma pessoa comum consome.

Se reposicionando no mercado, lojas famosas e grifes utilizam imagens para demonstrar que seus produtos podem ser usados por qualquer pessoa, não precisa estar em determinado nível social. Agora estamos na era da democratização do consumo, onde qualquer pessoa pode ser sinônimo de consumidor, e por consequência promotor daquilo que utiliza.

Através dessa proximidade com o cliente, empresas como a Nubank conquistaram um público fiel. Com postagens no Instagram relacionando a equipe, seus clientes e situações do cotidiano o produto da empresa -cartões de crédito- não para de conquistar novos adeptos. Este exemplo demonstra que o cliente agora quer fazer parte da marca, estar conectado com ela, fidelizando este com o produto.

Consumismo x Consumo

Porém as marcas precisam ter em mente o significado de consumo. Não pode simplesmente lançar seu produto no mercado a fim de obter vendas somente. Engajar um cliente demanda tempo, é um jogo de gato e rato. Depois manter esse cliente na base deve ser feito com cuidado. Com o dinamismo das redes sociais uma informação mal compartilhada pode levar um negócio de anos ao fracasso.

Se não bastasse, as empresas devem ter um canal de comunicação sempre aberto com prospects ou clientes, e não digo somente uma central 0800 ou serviço de contato por e-mail. Hoje canais de comunicação são mais amplos englobando desde mensagens por WhatsApp até postagens na timeline do Facebook. A lembrança da marca não se faz mais somente com um cartão no aniversário e outro no Natal.

Por isso o consumo deve ser o reflexo de uma política de marketing voltada para a comunicação com o cliente, mesmo que este não compre nada na primeira, segunda ou terceira vezes. Falar é a palavra de ordem neste novo tempo do marketing. Estreita-se laços e acaba por ser parte da vida do cliente levando esse a ser um promotor natural do produto.

Incentivar o consumismo, tendo como objetivo final a venda acaba afastando clientes. Depois da aquisição de um produto sem sentido se arrependem a tratam de convencer outras pessoas a não comprar. O resultado é um efeito em cascata inimaginável, onde as vendas diminuem graças a uma venda impulsiva e agressiva.

Portanto incentivar o consumo consciente, com muita conversa e informação sobre o produto é fundamental para fomentar mais vendas e consequentemente obter resultados positivos.