Ter sanidade em mundo insano

Nos tempos atuais de loucura devemos nos manter centrados

Vivemos tempos difíceis e complexos: desemprego, crise econômica, líderes corruptos, empresas fechando, etc. Sob pressão constante por resultados no trabalho, em casa e com a família, somos cobrados diariamente. Não falta dia em que não tenhamos que prestar esclarecimentos daquilo que realizamos. Até que chega uma hora e explodimos.

Não basta dizer que precisamos de calma, isso é clichê. Querer criar uma ideia de “lentidão” mental em um ambiente acelerado não funciona. Estamos na era do instantâneo, do imediato. Ler o email depois? Nem pensar. Também não serve se guardar em um período sabático. Como dizem por aí “o trem passa por cima”.

Como devemos nos manter mentalmente equilibrados nesse mundo insano? Esse pergunta é árdua em ser respondida. Primeiro que devemos relacionar algo sobre sensatez. Para sermos sensatos precisamos colocar na balança nossas atitudes cotidianas e verificar se estamos agindo com coerência.

Em tempos de redes sociais, onde tudo é imediato, agir com celeridade é uma dádiva. Por isso antes de sair por aí alerdeando calamidades devemos pensar se nossa ideia é no mínimo plausível. Exemplo há aos montes: uma pessoa com uma maleta bate a sua porta. Ela está vestindo um terno preto alinhado e segura um objeto no bolso. Nossa criatividade fértil normalmente sugere que o objeto é uma arma e sua intenção é um assalto. Nosso instinto de proteção se torna maior que o normal. No entanto algo mais plausível seja um vendedor querendo lhe vender seguros, com sua caneta no bolso.

Essa barreira entre o plausível e o não plausível explica grande parte de nosso nível de estresse. Veja outro exemplo: seu chefe o chama para sua sala. Pode passar em sua cabeça uma demissão certeira. Porém o chefe quer lhe pedir um relatório.

Em outras palavras, precisamos ver de todos os ângulos as situações, ponderar as variáveis possíveis de ocorrer, e depois sim tomar uma atitude. Uma ação impensada pode ocasionar um problema gigantesco. Assim, antes de agir precisamos refletir naquilo de possível de fato.

Não sou expert em tai chi, e muito em meditação. Mas tenho critério de seleção de probabilidades. Ou seja, levo a vida com cenários. Diante de uma situação elaboro três possíveis motivos que levaram a ela e três soluções decorrentes. Após as possíveis soluções, elaboro mentalmente, possíveis consequências de minhas ações.

Pode ser estranho, mas é uma forma de se manter sensato. Assim acabo não tomando atitudes impensadas, sem medir as potenciais consequências.

Claro, antes não era assim. Muitas das decisões que tomei na vida foram de maneiras intempestivas. Na verdade ainda tomo decisões sem pensar. No entanto tento sempre me manter centrado naquilo que estou fazendo. Evito com isso 4 situações:

  1. Arrepender-se: quando tomamos decisões baseadas nas consequências futuras diminuímos a possibilidade de arrependimento. Podemos não saber a reação da outra parte, mas podemos medir a vantagem (ou estrago) antes, sem ficar surpreso.
  2. Voltar atrás: a pior coisa que podemos é retornar. Quando retornarmos perdemos tempo, energia (e quem sabe dinheiro). Por isso, ao tomar uma atitude precisamos arcar com as consequências desta.
  3. Plano B: sempre quando precisamos recorrer a subterfúgios criamos um “plano B”. Esse tal B é algo que afoga as esperanças de êxito. Portanto crie um plano baseado na reação da outra pessoa, não através da sua ação.
  4. Perder oportunidades: quando recebemos chances na vida precisamos agarrar com unhas e dentes. Porém na maior parte das vezes perdemos as oportunidades antes mesmo delas existirem. Acontece que se não medirmos as atitudes antes de refletir sobre as consequências delas tomamos rumos diferentes, afastando possibilidades futuras.

Portanto não precisa ficar zen ou chamar um guru tibetano para melhorar sua sanidade. Mesmo depois de ouvir um telejornal dizendo a taxa de desemprego e Trump esbravejando, não precisa correr nas redes sociais e soltar o verbo. Pense antes de escreve uma linha, uma letra.

Não precisa sair xingando quem furou a fila, ou reclamar com o síndico do barulho do vizinho. Pense nas consequências de seus atos.

Se pensarmos um pouco mais naquilo que pode se gerar com nossas ações seremos, no mínimo, mais sensatos. Caso contrário a lei será a mesma: “para cada ação, haverá uma reação contrária, e em maior intensidade”.