Aos filhos da Arte

Sou filho da arte,
A mãe de todas as mães
De todos os filhos
De todos os pais
De todos os netos
Bisnetos e...
Até de quem não existe mais
Na física - só artisticamente.

Sou fruto da arte
Do amor - que me invade
Da dor - que vem cedo e vai tarde
Da alegria escancarada
Nos olhos daqueles
Artistas
Todos filhos como eu
Da arte
A mãe de todas as mães.

Sou um homem que faz arte
Arte escrita, falada ou cantada
Que pode até não ser dita
Em voz alta.
Mas sempre - sempre! - está viva.

E não me diga que não...
Se eu pudesse explicar...
Mas não posso...
Sinta!
É assim que, a seus filhos
A arte se faz ensinar:
"Filho meu, 
Apenas... me sinta"

Ah, mãe de todos os seres
De todas a vidas
Crentes ou não
Mortas ou vivas
Apenas... vidas.
Apenas?

Ah, sem pena...
Não pensa.
Pessoa, o poeta
Já dizia:
"Que se alguém pensasse na vida
Morria de pensamento"
Ah, Pessoa, quanta vida
Se pode viver num só momento?

Estou aqui, entregue
Como fruto da arte do amor.
Me disponho a ser
(Sem duvidar de mim mesmo)
Tudo aquilo que o tempo
De mim
Nunca levou:

Quem, verdadeiramente
Por dentro, por fora...
Eu sei... eu sei sim!
Hoje, Mãe Arte,
Hoje eu sei quem eu sou.