Prólogo de Uma Carta Aberta pro Futuro
Estou aqui, como fruto de mais uma questão
A verbalizar o que preciso, mas tenho medo de dizer
Devo à minha dignidade dar alguma explicação
E terei a dignidade de a algumas perguntas responder
Por querer, não obrigação
Pra quem julgo merecer
(Talvez um jeito diferente,
O meu jeito de dizer
Pra quem nem fez pergunta alguma
Que, só por isso, grato eu já poderia ser)
Mas chega de imputar ao outro
A culpa que só a mim cabe o porquê
E chega do que é meu fazer pouco
Pra muito fazer pelo que só do outro é
Chega de me permitir ficar louco
(Salvo se a loucura a mim convier)
E chega de “tudo bem ficar rouco”
Por quem só meu silêncio quer
Assim dou à luz este prólogo em versos rimados
Pra que não me esqueça da carta que devo escrever
Dirigida ao futuro, mas de hoje um retrato
Pra sempre lembrar de quem sou, fui e escolhi ser
Pra ir além do que uns já enxergam caricato
E tentar, de mim mesmo, não me perder
Que eu perca o que já tenha merecidamente ganhado
O que ganho quando acordo supera qualquer perda que eu venha a ter
Porque, todo dia que eu consigo abrir os olhos,
Percebo que não há nada que seja insuperável me desfazer
Salvo vida, pela qual agradeço tão logo acordo:
“Obrigado, ganhei mais uma chance de viver”.
