Prólogo de Uma Carta Aberta pro Futuro

jeronymus
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Feb 23, 2017 · 1 min read

Estou aqui, como fruto de mais uma questão

A verbalizar o que preciso, mas tenho medo de dizer

Devo à minha dignidade dar alguma explicação

E terei a dignidade de a algumas perguntas responder

Por querer, não obrigação

Pra quem julgo merecer

(Talvez um jeito diferente,

O meu jeito de dizer

Pra quem nem fez pergunta alguma

Que, só por isso, grato eu já poderia ser)


Mas chega de imputar ao outro

A culpa que só a mim cabe o porquê

E chega do que é meu fazer pouco

Pra muito fazer pelo que só do outro é

Chega de me permitir ficar louco

(Salvo se a loucura a mim convier)

E chega de “tudo bem ficar rouco”

Por quem só meu silêncio quer


Assim dou à luz este prólogo em versos rimados

Pra que não me esqueça da carta que devo escrever

Dirigida ao futuro, mas de hoje um retrato

Pra sempre lembrar de quem sou, fui e escolhi ser

Pra ir além do que uns já enxergam caricato

E tentar, de mim mesmo, não me perder

Que eu perca o que já tenha merecidamente ganhado

O que ganho quando acordo supera qualquer perda que eu venha a ter

Porque, todo dia que eu consigo abrir os olhos,

Percebo que não há nada que seja insuperável me desfazer

Salvo vida, pela qual agradeço tão logo acordo:

“Obrigado, ganhei mais uma chance de viver”.

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"...e do peito o coração se comunica..."