Política, bots e desinformação. O que temos a ver com isso?

Arte: Hanna Barczyk
Resolvi dividir este texto em duas partes: a primeira é uma introdução ao tema Fake News com fontes e dados e a segunda é uma parte mais técnica de checagem de fatos que tem o intuito de contribuir no combate ao avanço de noticias maliciosas, roubos de dados e noticias falsas, mas conhecidas como fake news.

No período entre 30 de janeiro e 4 de fevereiro de 2018, aconteceu a 11° edição da Campus Party Brasil, foram mais de 700 horas de muito conteúdo com palestras, workshops, hackathons, entre muitas outras coisas.

Uma das palestras que assisti e com um tema aparentemente “novo”, mas de extrema importância é a Boatos e fake news — como checar informação na era digital? De de Isabela Pimentel. Na palestra ela abordou a origem do termo, ferramentas, leituras e conteúdos que, assim como Isabela, também acredito ser importante compartilhar com outras pessoas.


A palavra do ano

Fake News, foi eleita a “palavra do ano de 2017” eleita por Collins, dicionário britânico e, em resumo, significa informação falsa que é disseminada sob a máscara de uma notícia. Apesar do termo ter sido muito usado por Donald Trump no período eleitoral de sua campanha (2016) com o propósito de atacar a imprensa americana, particularmente, a CNN e The New York Times o termo é muito mais antigo. A editora Merriam-Webster publicou em sua conta no Twitter que a expressão surgiu no fim do século XIX para descrever “uma história política vista como danosa a agência, entidade ou pessoa”.

Reprodução: Twitter

A relação de boatos com o comportamento de manadas.

Uma série de fake news gerado a partir de boatos, um caso emblemático no Brasil é o de Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, morta após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo. Ela foi agredida a partir de um boato gerado por uma página em uma rede social que anunciava que a Fabiane sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de "magia negra".

Em um entrevista à BBC Brasil o professor Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fabrício Benevenuto, afirmou o seguinte sobre o comportamento de manada:

“Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso”.

O professor que estuda a desinformação nas redes testou sua teoria com um experimento: controlou quais comentários apareciam em um vídeo do YouTube e monitorou a reação de diferentes pessoas.

Quanto mais elas eram expostas só a comentários negativos, mais tendiam a ter uma reação negativa em relação àquele vídeo, e vice-versa.

“Um vai com a opinião do outro”, diz Benevenuto em reportagem de Juliana Gragnani à BBC. Nesse mesmo experimento, os pesquisadores chegaram a conclusão de que a influência tinha conexão com níveis de escolaridade: quanto menor o nível, mais fácil era ser influenciado.


Eleições, Projetos de Lei e a Tecnologia.

A jovem Lei 12.965/14 conhecida por Marco Civil da Internet, até então sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Alguns dos fortes pilares Marco Civil da Internet são: neutralidade da rede - liberdade de expressão, direito a privacidade. Basicamente, não guardar todas informações sobre todo mundo o tempo todo e garantir investigações crimes na internet.

No dia 15 de dezembro de 2017, a lei Neutralidade de Rede nos EUA foi derrubada. Com essa lei, os provedores tinham o dever de tratar todo dado de forma livre, democratização e trafico de rede. Com o fim da Neutralidade de Rede os provedores podem desacelerar ou bloquear alguns sites, cobrar mais caro por determinados conteúdo.

O Facebook foi muito acusado de fazer vista grossa e não se comprometer com conteúdos compartilhados na plataforma. Em conjunto Aos Fatos o Facebook Brasil criaram duas iniciativas um aplicativo a Vaza, Falsiane! que também oferece um curso online e gratuito voltado para adolescentes, jovens adultos e educadores com o objetivo de auxiliar no checagem de notícias e estimular o debate crítico e a plataforma Fátima, um robô para Messenger que ajudará usuários a identificar se a noticia é falsa, método comparativo.

Em uma pesquisa realizada pela FGV/DAPP, aponta que o Twitter provocam até 20% de debates em apoio a políticos.


Dando nome aos bois:

Brincadeiras a parte. #PraCegoVer Imagem com texto "quando a gente era mais novo os pais: vc acredita em tudo que ta na internet não é assim. Os pais agora: Você viu que vão derrubar o cristo pra botar Pablo Vitta".

Quanto mais velha, mais engajada tende ser a pessoa ao seguir alguns veículos de imprensa. Veja abaixo um levantamento feito pelo Monitor do Debate Político. A análise foi feita com coletas em base de interações entre 1.822 perfis de Facebook e páginas de notícias:

Três gráficos de interação: Mais jovens interagem mais com veículos da grande imprensa | Na faixa dos 41–51 anos interagem com veículos de direita | Mais de 50 interação com esquerda
  • Bots = Um robô que se passa por alguém, é automatizado. (Sempre fala sobre o mesmo assunto).
  • Botnets= redes de bots.
  • Ciborgues = Metade máquina e parcialmente manipulada por humanos, é automatizada mas supervisionada por alguém. (Mais difícil de identificar).

Redes privadas como WhatsApp não permite o acesso devido sua criptografia, porém, seus botnets também compartilham suas noticias no Facebook e outras redes sociais. A tendência é que essa rede fique cada vez mais forte.

A associação internacional de checadores Fact Check estabelece esses três critérios:

  • Fact Cheking: Checagem de informação.
  • Debunking: Lida com rumores.
  • Verification: Manipulação de fotos e vídeos.

Vamos aos fatos: mídia, algoritmo e governança

Em um estudo de caso, feito por Dan Arnaudo - University of Washington referente ao Papel de Robôs Sociais Durante a Propaganda Eleitoral no Brasil.

Este paper é possível dividido-lo em três estudos de caso: eleições presidenciais, período do impeachment e o eleições municipais e qual a influencia desse robôs em redes como WhatsApp, Twitter, Facebook e Youtube. No artigo Dan Arnaudo aborda de forma breve temas como era Lula, Lava Jato o papel da mídia e jogos olímpicos. Trata-se da influências de bots nas eleições presidenciais, municipais do RJ, e o impeachment.

Há um mercado a ser explorado, como no ramo de campanhas políticas. Exemplo disso é a Cambridge Analytica, uma empresa que atua no ramo de análise Big Data, comportamento e publicidade para executar plano de comunicação estratégica. A mesma empresa encabeçou a campanha de Trump e a saída do Reino Unido da União Européia (Brexit).

Em São Paulo, o prefeito João Dória já está trabalhando com cinco software de Data Science e Big Data de acordo com à matéria da BBC. O objetivo é verificar informações de eleitores e, assim, oferecer um conteúdo que chame atenção de cada um. Vale ressaltar que Dória não é exclusivo.


Imprensa (dados)

Em uma pesquisa coordenada por Esther Solano (Unifesp), Pablo Ortellado (USP) entrevista realizada no ano de 2015 sobre as manifestações pró e contra governo Dilma. Segue imagens do período de do 12 de abril de 2015 sobre confiança nas instituições. Link da pesquisa:

Gráfico sobre o grau de confiança nas opiniões e boatos o que os manifestantes do período de 2015 (época da pesquisa).
O gráfico aborda sobre confiança nas Fontes de Informação. Segunda a pesquisa boa parte do público entrevistado não confia no Twitter e Blogs porém a confiança em redes como WhatsApp, Facebook e portais de noticias são maiores.
Ainda sobre confiança o gráfico aborda movimentos. Segundo o público entrevista no período movimentos como MTST e MST tem pouca confiança e em contra partida o Vem pra rua e Brasil Livre tinham mais confiança.

Todo Robô é malvado?

O robô é uma inteligência desenvolvida para automatizar tarefas, não precisa necessariamente de um hardware e não possuem: empatia.

Você conhece a Operação Serenata de Amor? Beleza, vamos lá. Informações retiradas do site que são bastante objetivas.

Serenata de Amor um projeto que usa ciência de dados, uma Open source, termo em inglês utilizado para distribuição de código de forma aberta, onde todas as pessoas interessadas em contribuir para a evolução do projeto podem, de forma livre, agregar suas ideias, sem pagar por licença ou propriedade intelectual. Em outras palavras, o Serenata é gratuito para acesso de qualquer pessoa.
Com isso, a Serenata criou a Rosie: uma inteligência artificial capaz de analisar os gastos reembolsados pela Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), de deputados federais e senadores, feitos em exercício de sua função, identificando suspeitas e incentivando a população a questioná-los.
Rosie, em sua conta no twitter ❤

Como participar?

Retuítes | GitHub | Financeiro

Segunda parte: apresento algumas ferramentas de checagem.

❤ Revisão: Maura Silva | Fernanda Mendes | Rodrigo Alencar ❤