ph: Jéssica Bertoni

Há mar, após a escuridão

Durante uma noite, me deparei ouvindo uma música, em uma versão de Ney Matogrosso, em que era dito: “do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro”. Algo sempre me intimidou quando o assunto era perspectiva, ainda mais quando essa perspectiva era estabelecida durante dias escuros; e piorava ainda mais quando era-se questionada o tempo em que ela deveria ser escolhida. E aliás, não venha me dizer que dias escuros dependem apenas da querida climatologia, pois mesmo em que haja um sol bonito, dias dourados, pessoas vestindo-se como se fossem arco-íris, se o seu dia interior estiver cinza, não há tabela de cor que se modifique. Não se desespere. Dias escuros são tendenciosos. Tendemos à abrir os olhos e nos questionarmos se devemos realmente levar algo à diante, mesmo as tarefas mais fáceis, ou planos, parecem ser impossíveis de serem realizados. Mas, será que no meio dessa escuridão, desse infinito preto e branco, conseguiremos encontrar as cores e nossas perspectivas?

Turbilhões de pensamentos, sejam eles os mais perturbados, percorrem nossa cabeça nessas horas, e contudo, uma guerra civil começa dentro de nossa mente. Uma guerra em que os dois lados se originam de um mesmo lugar. Você! É preciso que encontremos motivos para poder seguir com aquele dia escuro, ou aquela semana escura, ou até mesmo, durante aqueles meses em trevas; motivos para vencer àquela batalha. Mesmo quando nada parece fazer tanto sentido, aquele incômodo em não conseguir enxergar a saída do abismo em que fomos parar é grande. E pasme! O lado que deve ser o vencedor dessa guerra, é bem nítido. Você! É uma guerra de mesmo vilão, e mesmo mocinho, nem um pouco hollywoodiana, mas sim, um tanto quanto contos de terror dos anos 80.

É necessário manter-se em equilíbrio, a cabeça firme, e nessas horas, sem histórias de planejamentos imediatos ou alcançar a tão almejada perspectiva para o presente. Apenas sinta o agora, não há nada de errado em viver os dias cinzas. Porém, quando a saída parece não ter vista, preencha o corpo com sol, pois quando o coração é aquecido pela luz dessa estrela, todas as estações tornam-se verão; Todas as cores voltam ao seu tom natural. As estrelas brilham novamente. O mar volta a ser azul. As decisões tornam-se mais coesas, e bem mais claras. A paciência guia a calmaria, dá a direção que é necessária para o momento, e quando estiver correndo pra essa direção, a escuridão já foi embora; o mar não está mais escuro. Você encontrou a saída. E acredite, você venceu! Você venceu só por ter encarado a batalha, por ter sobrevivido aos dias em que o solstício tomou conta de sua vida. Aproveite a luz. Mesmo que em certos casos sejam necessárias mudanças, encare-as. Arrisque. Não há nada de errado em navegar em mares escuros.

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