Hoje foi ela, amanhã pode ser você.

Como a mulher ainda é tratada em relação a cultura do estupro?

Nossa sociedade foi constituída basicamente sobre uma herança cultural do papel submisso da mulher, que está arraigada em nossas raízes. Com o passar do tempo, a mulher começou a modificar essa tradição de dominação e foi, aos poucos, encontrando seu espaço no mundo, sua independência financeira e passou a tomar suas próprias decisões. Contudo, ainda falta muito para que possamos aprender a respeitar o corpo feminino.Estupro é crime e precisa urgentemente de severas mudanças constitucionais e morais para que essa barbárie não seja ainda mais banalizada como está atualmente.

Estupro é maneira forçada de ter conjunção carnal com outra pessoa, serve tanto para homens quanto para mulheres. Porém, o que vemos e o domínio masculino sobre a mulher, em que após a vítima ser gravemente abusada ainda assim passa pelo julgamento de ser responsável por essa violência. Segundo dados do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2014, 47.600 pessoas foram estupradas no Brasil. A cada 11 minutos alguém sofreu esse tipo de violência no país. Um absurdo que nenhuma providência por parte do poder público seja tomada. Apesar de ser considerado crime, conforme a Constituição brasileira, nossas leis ainda são muito brandas para o tamanho da violência cometida.

Para que essa realidade seja felizmente modificada, precisamos agir hoje. A educação escolar é o primeiro passo para que a cultura do machismo e cultura ao estupro sejam findadas. Não é somente o estupro em si, precisamos banir toda a forma de violência contra a mulher. Há ações masculinas que fazem com que a mulher sinta-se inferior, como, por exemplo, com piadas sexistas, que são corriqueiramente usuais. É quase raridade a mulher que não passou por constrangimentos na rua com assovios ou cantadas vexatórias.

Usando minissaia ou vestido longo, sendo moça de família ou prostituta da rua, pobre, classe média ou rica, branca negra, japonesa ou indígena, não importa, mulher não merece ser abusada. Precisamos mudar o conceito social em que a culpa do estupro é apenas da vítima, a culpa é somente do violentador. Estupro não é um “instinto natural do homem” é uma brutal violência, porque homem que é homem não precisa forçar ninguém a se submeter a ele para obter proveito. Recentemente uma barbárie ocorreu no Rio de Janeiro, o estupro coletivo de uma jovem menor de idade abusada por cerca de 30 homens. Esse episódio não é um caso isolado, e sim algo bem mais corriqueiro do que imaginamos. Feministas, homens de bem e a imprensa nacional e internacional difundiram em rede social e nas diversas formas de mídias o repúdio por este caso. Exigimos justiça e o fim da inferiorização da mulher e a igualdade de gêneros.

Somente com leis mais firmes vamos mudar essa realidade, não podemos pensar que o abuso sexual esta tão longe de você, porque ele não está não. Nós precisamos de mobilização de todas as classes, de todos os sexos e faixas etárias, para acabar com essa situação. Cobrar dos governantes avanços e o cumprimento efetivo da lei. Para estupradores leis mais rígidas, para as vítimas um maior amparo psicológico por que as marcas físicas rapidamente desaparecem, porém as emocionais ficam para o resto da vida. Nós precisamos estabelecer em nossa sociedade que estupro não é uma relação sexual é um crime.

Por Jessica Cardoso da Fonseca Silva.

(Escrito no primeiro semestre de Jornalismo na ESPM-Sul na disciplina de Linguagem I) 2016/1

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