A cronista

Impossibilitada de nadar devido a um tratamento médico, comecei a ocupar esse tempo com a leitura. Trago duas crianças para o clube e nadando ou não, os treinos delas e do meu marido continuam.

Hoje* está um vento refrescante, coisa rara na minha quente Teresina, porém mais refrescante está a leitura. Ler Martha Medeiros é me encontrar com aquilo que um dia quis ser: cronista.

Comecei com os versos e rimas, mas o tempo foi pontual: é cronista que eu quero ser. E fiquei querendo. Os anos na universidade de Jornalismo me ensinaram mais da objetividade- notícia -lide, quando o que eu queria mesmo era tornar o cotidiano interessante. Por vezes consegui nas pautas especiais da vida trazer um estilo que fosse mais meu.

Saí das redações e fui para o marketing de conteúdo e a rotina com cada um dos clientes me trazem textos e interpretações que nunca virarão um "Simples assim".

Esse lance de cronista é pra quem tem desapego, quem não se importa de dizer que nem tudo precisa ser complexo e filosófico. Não sei se tenho isso. O que sei é que o cheiro desse cloro, o som dos movimentos na água, meu cabelo assanhado pelo vento e estes textos breves e profundos trouxeram a tona a vontade de escrever sobre o cotidiano.

Quanto mais os anos passam pra mim, mais sou desafiada a encontrar o belo na rotina, a enxergar o novo todo dia e a vontade de ser cronista reaparece. Melhor encerrar esse papo entre mim e eu mesma escrito num bloco de notas do celular e voltar à Martha. Ela sim sabe ser cronista.

*Escrito em 03/05/16