Acho que vale a pena a gente marcar um dia pra tomar alguma coisa e discutir essas ideias :) Se não…
Éber
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Oi, li todos os outros comentários mas vou responder tudo nesse aqui, se não me embaralho toda hahaha

Primeiro: uma breja é sempre bem vinda! Com boa conversa melhor ainda XD

Segundo: eu entendo os seus apontamentos, mas ainda discordo deles.
Sociologicamente falar que muitos desses grupos reage de forma violenta puramente por falta de opção é negar todo um prisma desse caleidoscópio que é bem mais complexo. Afinal é ignorar constatações cientificas como a psicologia para o efeito demanda do Zimbardo, os estudos de Le Bon e a psicologia de grupo de Freud. Também é negar que exista inteligência intrapessoal e conferir a virtude apenas aos abastados (fato sobre o qual Steven Pinker disserta e refuta muito bem).

Os neurocientistas e psiquiatras entendem que o comportamento violento de grupo é responsabilidade da dissociação da individualidade e tem haver com aquisição/tomada/perpetuação de poder. E não com coexistência ou resistência.

E não é o tipo de coisa que nós da área de humanas podemos refutar baseados em data-vivência, mas mesmo assim parecemos negacionistas em relação á isso. Isso é bem típico do comportamento pós moderno — cultuando-se o relativismo de conceitos que são comprovados e objetivos — , nos tornamos inaptos á ciência e a comprovação cientifica em nome de relativização subjetiva.

Chega a ser espantoso (pra mim pelo menos) e bastante obscuro como a área de humanas nega o campo cientifico em pró de seus ideais, sem se dar conta que utiliza do mesmo recurso de ad hoc e auto-selagem argumentativa que as religiões faziam para influenciar seus seguidores. Construiu-se uma aversão tão grande ao positivismo que se transformou em uma aversão à própria ciência, e também à realidade material.

Aproveitando os apontamentos, te faço três questionamentos:
*Se quiser pode me responder quando a gente tiver com uma gelada, pra nenhum dos dois adquirir uma tendinite ou ler hahahaha

  • Considerando a hipótese de que o uso de violência se justifica — quando não é imprescindível para a própria sobrevivência e nem de forma proporcional ao que lhe foi cometido — , como se dá uma situação de conflito entre duas minorias em estranhamento?
  • Se a gente afirmar que o discurso rad vem como reação á uma opressão sofrida, e que não podemos abrir um diálogo com esse grupo “instruindo” o que é aceitável e oportuno, como podemos interpretar o caso John Weston X Marx?
    O Weston era um operário inglês, extremamente pobre que defendia que os trabalhadores deveriam ser passivos e não deveriam lutar por aumento salarial. Já Marx, um não operário, abastado, refutou Wetson criando o conceito de luta do proletariado, o aumento de salario e ainda proferiu em 1865 em um Congresso o que se tornaria posteriormente um texto chamado “Salário, Preço e Lucro”, criticando as ideias econômicas de Weston já que estas careciam de bases científicas.
    Se fosse hoje, em 2015, o cidadão Weston poderia se afirmar como possuidor da verdade por ser operário e ter vivência, além de solicitar que Marx não lhe roubasse um protagonismo de luta, mesmo que suas ideias estivessem erradas e fossem economicamente absurdas?
  • Ainda discorrendo sobre o lugar de fala, que é basicamente é a concepção de que apenas os que sofrem com uma opressão podem falar sobre essa opressão e determinar a normalidade de suas ações em resposta, sejam elas pacíficas ou violentas.
    Sendo assim Gregório Duvivier por exemplo não poderia explicar á Fernando Holiday de que as cotas são boas para o Brasil porque Gregório é branco e rico e Holiday é negro e pobre? Sendo assim, Holiday ainda poderia justificar uma possível agressão contra Duvivier já que dadas varias tentativas de dialogo o Duvivier sempre o ignorou?

Compartilhando um pouco da minha experiência:

Como eu disse eu cresci na periferia (e não é periferia tipo beco do batman da vila-mada, mas é nível grajau), e até hoje faço trabalhos comunitários em comunidades no extremo na zona sul (região de parelheiros, varginha e capão redondo).

Ao mesmo tempo estudei e hoje trabalho diariamente com pessoas de classe média e alta no Itaim e Perdizes. Então eu ouço muito um pouco de tudo, de ambos os lados.

A maioria dos discursos extremistas sempre me vieram de pessoas com poder aquisitivo e alto nível de instrução, principalmente quando não sabiam que eu era da periferia.

Porque apesar de eu ser de lá eu nunca tive o estereótipo do que a classe média/alta acadêmica e coletivista considera periférico. Então quando eu falo que sou contra violência, dou uma aula ou faço uma palestra, eu sou muito mais hostilizada por ativista radical que nunca pisou num lageado pra desbicar pipa, do que por quem mora na periferia e vem no final me perguntar se quero almoçar lá pra conversar mais um pouco.

Minhas opiniões — Sobre dialogo:

Claro que quando falamos de dialogo é sempre um desafio.
Às vezes, precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados. Por quê? Porque propor ponderamento e empatia não implica que precisamos ser prostados. Afinal bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade e a tolerância que nunca replica não é tolerância: é condescendência.

Sobre coletivos rad:
Quando vejo ao episódio do artista plástico Rafucko e vejo o nível extremo dos discursos, arrisco a dizer que este tipo de militância não tem causa além deles próprios. Querem holofote e não que qualquer situação efetiva de exclusão acabe ou se resolva. Se a situação se resolver eles se tornam obsoletos. Perdem toda notoriedade e poder que acreditam ter.

Ah um adendo: acho extremamente importante que as pessoas reflitam que tipo de sociedade querem viver e tomar como exemplo antes de punhar uma bandeira.

-As fundamentalistas radicais segmentadas pró-violência do Oriente Médio? Ou os moderados democráticos pacíficos países do norte da Europa? Que diga-se de passagem é onde os direitos conquistados por minorias não tem quaisquer precedentes na história?

Falar que todas as culturas tem igual validade e veracidade nesse caso é negar que mulheres, gays e minorias étnicas vivem melhor na Suécia do que no Irã, por exemplo.

PS — falei que eu me empolgo conversando? Olha o tamanho da bíblia, não dá nem pra negar que sou de humanas hahahaha