insônia

eu olho pela janela que deixamos dormir aberta

como se eu não tivesse medo de tudo

mas essa noite o medo maior

é não dormir mais uma noite

observo o prédio de frente a janela

quanta gente dorme de luz acesa — eu penso

não preciso de um clarão desses

uma fresta de luz acalma meu coração

e durmo em paz

porém​ essa é outra noite

em que meus olhos grandes e cansados

vão ver a noite se transformar em dia

molhei meu corpo no chuveiro

passei a mão no seu cabelo

enquanto bebo meu chá

vejo os prédios e escuto alguns poucos carros

deixo as luzes acesas e apagadas aqui dentro de mim

elas acendem e apagam

acendem e apagam

os olhos querem fechar de vez

a mente luta razão

vai acalmando devagar

talvez eu durma agora

quatro e meia