O que me vale

Dizem que sou ainda muito nova e talvez, por essa razão, não possa ostentar títulos. O único título que tenho é o meu nome. E, na verdade, ele nunca foi meu por natureza, mas sim porque me deram. O único bem real e completamente meu, pensado de mim pra mim lá na costura escura do ventre materno, é a minha alma. E aqui não falemos de cores, tampouco de inteireza. Felizmente, até dado momento, nenhum médico foi capaz de obter um diagnóstico preciso das almas, mesmo contando com toda sorte de ressonâncias magnéticas. Penso que fora a alma, todo o mais é apenas acessório. Todo o mais é concreto, tocável, roubável e perdível. Todo o mais foi convencionado e tem me dito e me mentido de mil formas que minha alma não. Todo o mais é disputa por título que esdruxulamente nem cabe na mão.