A primeira vez que eu chorei na terapia

Terça-feira, 30 de janeiro de 2017.

Eu faço terapia há exatos dez anos. Sim, dez anos em que, semanalmente, eu sento na cadeira e conto cada detalhezinho importante pra minha psicóloga. Por muitas vezes, eu cheguei e fiquei calada. Verdade, 40 minutos olhando pro chão e balançando os pés até que saiu “até semana que vem”.

Dessa vez foi diferente. Eu sentei na cadeira, respirei fundo e disse: “Eu acho que eu finalmente vou conseguir”. E ela: “O que, Jéssica?” “Chorar.” “Chorar?” “É…”. “Então chora e te liberta.” E eu chorei. Eu contei muitas coisas enquanto eu chorava. Coisas que me faziam feliz, coisas que aconteceram e me deixaram triste, coisas que estavam guardadas há tanto tempo, coisas demais.

Eu senti um alívio tão grande, que é quase complicado de falar. Eu tirei um peso enorme das minhas costas, senti que estava exatamente onde eu precisava estar, fazendo o que mais queria, que era chorar naquele momento. Eu finalmente consegui me livrar das amarras e do tabu que é chorar na frente dos outros. Porque eu sempre jurei a mim mesma que não choraria nunca na frente de alguém. Se chorasse, demonstraria minha fraqueza.

Mas quer saber? Chorar faz bem, faz parte e é libertador.

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