Bossa nova e cigarros

Eu estava sentada na varanda da sala, fumando um cigarro e ouvindo uma bossa. De repente, um som estridente toma conta do apartamento gelado. Era o telefone. Saí descalça, às pressas para atender. Quando o tirei do gancho, tudo o que estava à minha volta já não importava mais.

Fazia muito tempo desde que a gente tinha se visto pela última vez. Uns três anos, talvez. Não sabia que atitude tomar enquanto falava contigo no telefone. Eu estava muda e o meu cigarro estava na varanda queimando.

Te chamei para uma janta. A gente podia colocar a conversa em dia, tomar um vinho e relembrar os velhos tempos. Eu sentia saudades daquilo que nunca existiu, de verdade. Concreto.

A campainha tocou e quando abri a porta, instantaneamente os nossos corpos se tocaram. A gente era magnetizado um pelo outro, a gente se decodificava nos gestos. A gente acabou embaixo dos lençóis de seda, como deveria ser desde o início.

O som da bossa que embalava a noite e o tempo necessário para um cigarro queimar-se por si só eram suficientes para uma mais noite (in)finita ao teu lado. Eu não queria que o fim chegasse…

Agosto/2013

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