Não, de novo não. Ele havia jurado que não ia mais se apaixonar. Mas foi só sentir o cheiro daquele cabelo castanho que lhe veio na cabeça até quantos filhos teriam. Como era possível?

Haviam acabado de se cruzar, assim na rua, como dois desconhecidos quaisquer. E porque parecia que tinham toda uma vida juntos? Será que tinham uma vida passada? Nunca saberia. Eles não iam se ver de novo. Ou será que iam? E se…

Deu meia volta. Deveria dizer “hey…”? Não, muito informal. Deveria esbarrar? Não, muito clichê. O que fazer? Talvez dar uma volta e passar de novo na frente. Sim, essa era a melhor alternativa.

Correu. Virou. Passou. Encarou. Sorriu. Esboçou um sorriso, na verdade. Ficou em choque. Paralisado. Sim, eles se conheciam. Dali mesmo, de dez segundos atrás. Foi o tempo que levou pra ter certeza.

Não sabia se existia paixão à primeira vista, mas amor à segunda existia com certeza. Nada explicava isso. Nada explicava o tumtumtum tão alto que pulsava dentro dele, que gritava pra todo mundo na rua.

Voltou de novo. Disse “hey” e esbarrou. Esbarrou com a mão ali, naquele ombro que parecia dele. Sim, era um pedaço dele. Mas… como?

Naquele instante eles se reconheceram. Se é que existia isso, eles eram almas gêmeas. Complementares, não sei. Se complementaram de um jeito que ninguém tinha tornado inteiro até então.

E então, como se fosse natural, sorriram. Como se sempre sorrissem assim. Não precisavam perguntar um nome. Eles se chamavam de outro jeito. Foram em frente… Pra onde? Olha ali na rua, eles tão ali, ó… ali.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.