Não quero ser o teu amor após um drink

Amor não é caridade…

Jéssica Suguyama
Aug 28, 2017 · 3 min read

Querido,

Escrevo-te uma carta para te explicar o porquê saí as pressas antes de você acordar. Não me julgue mal, eu apenas não quis ter que me despedir te admirar adormecendo já me flagelou demais o peito. Por isso te deixo esta carta como um ultimo beijo que resolvi guardar.

Indescritível, é a melhor palavra a ser colocada em relação a qual foi nossa situação, porque indescritivelmente a vida fez cruzamos um o caminho do outro nas noites adentro. Eram como façanhas da vida na tentativa de nos unir.

Numa sexta-feira à noite esbarrei em você naquele barzinho e no sábado da semana seguinte em uma festa, assim consecutivamente por um longo período de seis meses, Lembra? Era sempre assim, nunca marcávamos, éramos vítimas do acaso. Confesso, era engraçado, foi mais engraçado ainda perceber as suas tentativas de se aproximar, você era meio desajeitado e eu me divertia com a sua timidez, mas a diversão de verdade veio depois, depois do primeiro beijo. Você sabe!

Foi diante do balcão, estávamos sentados eu mexia o canudo do drink enquanto discutíamos sobre o qual era melhor; temaki ou makizushi, claro que makizushi é melhor e você sabe disso. Saudou-me com um elogio e diante disso senti minhas bochechas aquecerem, enquanto sentia aquele calor que vinha de dentro para fora, fechei os olhos, na intenção de escapar por não saber lidar com as suas palavras, e antes mesmo que eu pudesse-te olhar novamente senti; quentes e macios. Os seus lábios se juntaram aos meus provocando em mim um caos interno.

Após este vieram vários outros em diversas noites e algumas que até deixávamos os lugares públicos, pois tamanha era a sede um do outro. Do carro ao elevador, do elevador ao corredor eram percursos feitos aos beijos, endossos e amassos, porque não conseguíamos esperar até o apartamento. No apartamento as peças iam sendo despidas dos nossos corpos antes mesmo de chegarmos ao quarto e devorarmos um ao outro. Estávamos se descobrindo e isso querido era lindo.

Era assim, não nos procurávamos, não era um relacionamento, mas passado alguns meses dessas situações fomos nos aproximando, não eram apenas em festas, naquele instante a gente passou a se procurar, trocamos bares por restaurantes, festas por viagens e ainda sim solteiros, éramos “amigos” se é que pode se chamar de amizade quando alguém sussurra em seu ouvido o quanto te ama. Mas não é por isso que eu estou indo. Estou porque ainda ao mesmo tempo em que estávamos, nós não estávamos. Nas festas que íamos você tinha espaço para outras bocas e talvez outros corpos enquanto eu que só tinha espaço para você, me vi se tornar o teu segundo plano.

Por um instante aceitei isso, por que as flores que eu recebia no dia seguinte eram lindas, as cartas que eu recebia eram lindas, os sábados deitados vendo filmes com você eram maravilhosos. Era assim, sua durante o dia, sua durante a noite e em nenhum momento você era somente meu. Tempo depois senti que eram só migalhas porquê não preciso de flores, cartas nem nada do gênero, eu apenas quis você por inteiro mas isso você jamais pode me dar. E é por isso que estou partindo.

Amar não é caridade, não é dar sem receber. Amar é reciprocidade. Troca.

Dei meu amor e enquanto te entregava recebia apenas agrados, mas agrados não são amor. Meu coração estava tão cheio de você, enquanto o seu vazio e a mente recheada de memórias de corpos que já delineou com as mãos.

E hoje digo com todas as letras que eu não me permito ser o teu amor após um drink e este é o motivo pelo qual te deixo, embora talvez eu não faça diferença.

Apesar de te amar eu ainda me amo em primeiro lugar.

Com carinho e amor de alguém que um dia já te pertenceu, assinado eu!

)

Jéssica Suguyama

Written by

Uma paulistana de fabrica mineira, uai sô. Mini profª de Artes Visuais e escritora nas horas vagas.

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