Prólogo de nós

O amor era mar e nós não sabíamos nadar ao invés de ficarmos na areia onde era seguro fomos cada vez a frente, o mar já não dava mais pé, quando a água gelada cobriu nossos pescoços já não havia mais folego, fomos afundando sem poder reagir e o que parecia ser imenso embernou ali.

Erramos na tentativa de acertar, dentro de nós havia um sentimento tão puro quanto um coração recém nascido, porém nem eu e muito menos você valorizou isso, nos desvalorizamos todas as vezes em que deixamos de ser nós para virar de todos, ser o que todos davam palpites e se entrometia, desde então perdemos o encanto, onde seus olhos castanhos não me viam mais me enxergando então através de outros, valorizando o que os outros pregavam e minimizando o que estava tão ali diante de ti, digo o mesmo a mim que te colocou inúmeras vezes na balança da dúvida.

Jovens que queriam levar tão a sério; falávamos em nos casar e adotar crianças, lembro bem quando disse e então me arrepiei vendo diante de nós um futuro para o qual eu dizia sim. Sonhávamos cada vez mais alto porém a cada desavença caíamos mais.

Pregávamos o infinito sem saber o real significado, as dores foram inevitáveis ainda mais quando o melhor foi se afastar, precisávamos disso esse afastamento para amenizar toda aquela maré brava que nos encobria.

Restou lembranças, raivas, por de tanto enxergar através de outras pessoas julgando e não escutando, nos demos as costas acreditando em erros que jamais foram cometidos e naquele momento nós nos matamos.

O afastamento talvez tenha sido de todos o melhor remédio, passamos noites de aperto e algumas outras dentro de braços onde nos abrigamos temporariamente, nesse período passei por inúmeros braços e diferentes calores, diferentes beijos mais nenhum do meu agrado e naquele momento eu percebi que buscava o teu aconchego em diferentes camas.

Ninguém brigou comigo pelas besteiras que pensei ou que quis fazer, ninguém beijou meu corpo por inteiro, ninguém colocou a música lenta de fundo para dançar comigo, ninguém me fazia tão feliz, ninguém se declarou como você, eu nunca cheguei tão longe com alguém como para onde me levou, por fim eu te procurei e ninguém era você.

Os outros pequenos erros foram necessários e assim reagimos, peguei impulso do solo nadei até encontrar o ar e por um mesmo acaso você o buscava também, nos buscávamos. Percebi naquilo um preparo, prontidão, amadurecimento, fome de reciprocidade, fome do novo nós.

Hoje aprendemos a nadar, porém caminhamos de mãos dadas na areia, molhamos os pés, mergulhamos algumas vezes e entendemos que temos tempo, talvez o todo o tempo do mundo para se descobrir em cada beijo, aprender o que cada toque desperta e por fim valorizar lidando com a singularidade que é o nós.

Concluo que cada atitude insensata lá atrás foi precisa para termos progressos e não me trevo em se arrepender, passaria por cada caminho novamente só pelo privilégio em sentir unidas as nossas mãos e ter este prólogo de nós.