Onde tudo é superficial, a profundidade assusta

Ela te pergunta sobre sua vida, mas antes de ouvir a resposta, já está conectada, acompanhando a vida de outras pessoas através de redes sociais.

Ela pergunta como foi seu dia e antes mesmo de você terminar sua frase, ela interrompe, como se soubesse o que você ia concluir. É uma conversa de ecos, onde duas pessoas falam mas não necessariamente ouvem.

Se não é falado, com todas as palavras e todos os dias, não pode ser sentido. Isso porquê nós desaprendemos nossos outros sentidos. O olhar, a respiração, o gesto…

Então, nesse contexto social em que vivemos, quando você encontra alguém que olha nos seus olhos enquanto você fala, isso assusta.

Quando essa pessoa espera você concluir o seu pensamento e faz uma breve pausa antes de responder, com uma expressão que mostra atenção e cuidado com o que você acabou de dizer, isso também assusta.

Se essa mesma pessoa demonstra com olhares, gestos e atitudes o interesse por você, mas não fala, não se faz “presente” todos os dias via redes sociais, você não entende o sentimento.

No começo é estranho. É porque não estamos acostumados a ser ouvidos com atenção, já nos habituamos a falar às paredes. Não estamos acostumados com intensidade, com interesse real.

E onde tudo é superficial, a profundidade assusta. Mas não a mim. Eu quero o que seja intenso, profundo, verdadeiro.

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