Brussels: o início ‘meio perdido’ de um mochilão pela Europa

Aguenta, que vem textão. Hoje faz exatamente dois anos que eu botei minha mochilinha nas costas e iniciei o mochilão lá pelas zoropa. A uma hora dessa eu sentia tanto frio na barriga... Afinal, seriam 25 dias viajando praticamente sozinha.

Digo praticamente, pois em alguns lugares eu sabia que encontraria amigos queridos. Mas ali, no primeiro destino a Brussels (Bruxelas, Bélgica), havia um medo misturado à ansiedade. Adormeci no sofá da minha sala-cozinha, quase perdi o transfer (táxi) para o aeroporto de Dublin, mas cheguei a tempo. Dormi por lá ainda, fiquei imaginando como seriam todos aqueles dias, se as roupas seriam suficientes, se o dinheiro iria dar, se eu iria sentir medo. Fui.

Ao chegar no aeroporto de Brussels, eu me senti tão perdida. Tentei comprar um ticket para o centro da cidade, mas o bilhete estava errado. Então, nos primeiros minutos em novo solo, já fiz minha primeira venda, toda preocupada se iriam ou não acreditar em mim para comprar um ticket de uma estranha.

Com as mesmas dúvidas, estava Paddy, uma moça de Taiwan que foi garçonete na Irlanda por três meses e chegou no mesmo voo que eu. A viagem, para ela, já era um ‘até logo, Europa’.

Engraçado, quando a gente encontra alguém que esteja tão perdido quanto estamos, parece que tá tudo bem. Encontramos, enfim, o ônibus em direção a região central. O motorista, com seu inglês-francês e muito cuidadoso, apontou o caminho por onde deveríamos ir.

Nos deparamos logo com o prédio da União Europeia. Muitas fotos, muitos textos, senti que estava em algum lugar muito importante. Era fulano engravatado pra cá e pra lá, enquanto eu continuava com a minha mochilinha e meu casaco verde de guerra. Agente, então, caminhou, caminhou, chegamos a uma igreja. Sempre há uma igreja. Paddy perguntou se eu era católica e se queria entrar. Eu disse que sim, ela ficou muito feliz em saber da minha religião (nem entrei no mérito de que só cresci cristã, mas que agora não frequentava mais a igreja).

Depois, encontramos um museu da história belga. Paddy optou em não entrar, queria economizar dinheiro. Logo em frente havia um parque gigante, onde havia muita gente correndo, mesmo em meio a um chuvisco frio. Demos uma volta e meia, ainda conversando sobre a vida, de São Paulo a Taiwan, com o nosso irish english.

Perguntamos a um guarda como chegávamos no Grand-Place. Não sei explicar a razão, mas quando chegamos ao centro histórico, já não chovia mais, estava um sol de leve.

No caminho, perguntamos como chegávamos no Manneken Pis (aquele menininho fazendo xixi. Realmente, em termos de estátua, é a maior frustração da vida). Assim que pedimos a informação, aproximou-se de nós um outro menino, também perguntando da estátua fazendo xixi. Asan manteve-se conosco até a praça principal, cheia de museus e chocolates belgas deliciosos que turista adora.

Os três não se conformavam com aquela estátua menor que a gente, mas que causava uma tremenda comoção na gringaiada toda ( nós também hehe). Depois dali, paddy resolveu seguir seu caminho sozinha e eu e Asan fomos em busca do museu dos quadrinhos, aquele onde tem toda a história do Tin-Tin e que eu indico muito a você, que chegou até aqui nesse texto.

No caminho, ele me contou um pouco de seu país, Uzberquistão ( um desses “tão”, que eu pouco tinha ouvido falar na vida), sobre sua cidade e soltou, meio que sem querer, que era jornalista. E, pra minha surpresa, era um jornalista comunitário, assim como eu. Que coisa, como alguém do outro lado do mundo faz algo parecido e a gente se encontra num país, assim, do nada?

Fizemos juntos a visita ao museu, depois, que já era tarde, fomos a um mercado qualquer pegar uma dessas promoções qualquer e comemos um sanduba qualquer com suco de laranja enlatado numa praça cheia de jovens, enquanto ele tentava me ensinar russo, que é a língua oficial de seu país, arendi tudo, claro, com certeza, lógico que não.

O sol ainda batia, mas eu já começava a me preocupar em achar meu hostel hostel. Ele ligou pro seu irmão, que mora em Brussels também, e perguntou a melhor forma de chegar até a estação de trem onde eu estava hospedada. Sei que minhas amigas vão dizer “que perigo”, você não deveria confiar em estranhos, mas, no percurso todo do mochilão, os estranhos foram meus melhores amigos, aquelas amizades de prosa longa enquanto caminha, com um abraço de até logo sabendo que, dificilmente, nos veremos outra vez.

Diferente do que aconteceria aqui, eu não tive medo. Paramos ainda para comer um falafel. E, antes de finalmente ir para a estação, fomos ao famoso Delirium Cafe experimentar alguma boa cerveja. Era um pub bonito, cheio de gente, cheio de cerveja e uns garçons muito simpáticos. De lá, pegamos o metrô, ainda cantamos Girl from Ipanema, a única música brasileira que ele conhecia.

O moço, gentil, me deixou na porta e foi-se embora correndo pra não perder o último trem (Adoniran se faz presente até do outro lado do mundo. Ê, lasqueira!). Entrei no hostel na ponta dos pés para não acordar as outras três meninas que estavam no quarto. Mas que surpresa! Paddy era uma delas, quase indo dormir pra aproveitar o dia seguinte. Havia ainda uma japonesa, falamos alguma coisa, mas elas logo dormiram.

Fui para a cozinha para usar a internet (único lugar onde havia sinal), enquanto uma mexicana que não me recordo o nome preparava algo para comer. Conversamos um pouco sobre a cidade e como era bom viajar. Me despedi, dormi muito pouco e logo acordei. Tomei café e fui em busca do terminal de ônibus para Amsterdã, a próxima parada. Sem antes, claro, comer um chocolate belga daquele mesmo que eu falei que gringo pira haha.

No metrô, perguntei a uma senhora como chegar. Ela, toda educada, ligou para alguém só para checar a informação (a população belga é bem educada, a de se dizer, viu?).

Achei aquilo tão cuidadoso, que até hoje tento ajudar qualquer um que me pergunta qualquer coisa. À espera do ônibus para Amsterdã um outro belga ainda parou ao meu lado. Eu, que nem falo francês e ele, que nem falava inglês, tentamos uma forma de comunicação mimética, misturada a muitos risos. Logo, ele estava me ensinando sua língua, na esperança que eu fosse mesmo aprender. Talvez, em algum cantinho do coração, ainda estejam os números em francês.

Antes de seguir viagem, tomei mais um chocolate quente em uma espécie de mercadão de lá. Consigo ver as cenas dos caminhões passando na praça, tão de manhãzinha, eu vendo a cidade acordar. E, assim, foram meus dois primeiros dias de viagem. Daqui a alguns dias, eu conto como foi em Amsterdã e as surpresas que a vida reservou.

Aqui, o roteiro que me guiou durante esses poucos dias em Brussels. Não que eu o tenha seguido completamente, mas me ajudou a viver essas histórias! Lembrando que fiquei apenas dois dias, então foi impossível viver algo muito além da vida “turística”!

A Grand Place (Metrô Bourse), Atomium (Metrô Heysel), Palácio Real, Royal Palace (, Leste, Place des Palais, Metrô Trone), Parque de Bruxelas (Metrô Parc), Edifício do Parlamento Europeu (Metrô Trone, rue de Trèves 3), Menneken Pis (Metrô Anneessens, Rue De L’Etuve), Pintura do predio do Tin Tin (Rue de l’Étuve), Parque do Cinquantenaire (Metrô Merode), Catedral Saint Michel et Gudule (Metrô Gare Centrale (Centraal Station), Palácio da Justiça (Metrô Louise), Bairro do Sablon, Boulevard de WaterlooPorte de Hall. Catedral de São Miguel e Santa Gúdula (Leste, Rue Du Bois Sauvage), Brussels Park ( Leste, Rue de La Loi), Mont des Arts (Rue Royale) ), Delirium Café — Bar — maior quantidade de rótulos do mundo (Impasse de la Fidelité), Jeanneke Pis (Impasse de la Fidelité), A La Morte Subite — Bar (Norte, Rue Montagne aux Herbes), Museu de Histórias em Quadrinhos (Rue des Sables 20), Atommium (Norte, Boulevard Du Centenaire).

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