Ideia de negócio lucrativa

Published by José Amaro, July 8th, 2017


Eu, ao comprar um CD, estou a adquirir um bem para usar como bem entender. Por isso paguei por ele. Claro que este direito não legitima a pirataria, pois aí estaria a defraudar o trabalho dos artistas. Mas, quando música, para animar seja quem for e como for, não estou a defraudar os artistas, pois ninguém acredita que, por eu estar a passar músicas para um grupo de pessoas, elas teriam a intenção comprar todas as músicas que eu ali iria passar e que, por isso já não o vão fazer, pelo contrário, passando-as, estou a promover os artistas, e aí, sim, passa a existir uma forte possibilidade de as pessoas virem a comprar por terem gostado. Também esse grupo, para quem iria passar música, não estaria, certamente, com os telemóveis ou outros dispositivos a gravar a música para depois ouvir com péssima qualidade. Agora vejamos: se eu, ao comprar música, paguei IVA, paguei aos artistas e às editoras que produziram a música, e ainda tenho de pagar à Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)? Mas então eu já não paguei aos reais autores ao comprar o CD?

Se assim é, e como a lei proíbe a discriminação, vou criar também uma SPA, só que, desta feita, a sigla SPA é para Sociedade Portuguesa dos Automóveis.

Quando eu criar a sociedade, todos os proprietários de automóveis, sempre que transportarem pessoas no automóvel, terão de pagar uma taxa.

SPA, deixem de ser ridículos, arranjem trabalho e façam algo realmente útil pela SPA (Sociedade Portuguesa Antiparasita). Já agora, gostava que respondessem a esta questão: com que dinheiro pagam as vossas instalações, carros, pessoal e actividades inerentes à fiscalização? Quanto dinheiro sobra para os autores? São os autores da música que realmente é passada que recebem ou são os autores que não vendem que precisam do dinheiro extorquido?

Admira- me, em pleno século XXI, o Estado Português ainda pactuar com este tipo de organizações que prejudicam quem faz a economia andar.

Lembro-me de, em miúdo, ver a série italiana “O padrinho”! Qualquer semelhança é mera coincidência…

No dia em que quem realmente trabalha bater o pé, deixar de pagar à SPA e esta tiver de recorrer constantemente aos tribunais, quero ver quantos anos consegue manter-se com tantos custos de processos. A ditadura portuguesa também só existiu até haver quem batesse o pé! É a SPA mais forte que os trabalhadores ou com mais poder do que a antiga ditadura?

Se nada for feito, um dia a SPA vai lembrar-se que os portugueses têm cérebro e que armazenam dados lá. Também vão cobrar uma taxa por isso? Opssss, agora que lhes dei esta ideia, é bem provável! Desculpem-me, portugueses, pela minha grande língua.

Tags: 2017, Julho

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