Você teve um dia ruim, ou então está com uma dor de cabeça intensa. Talvez você teve uma discussão com sua esposa ou com seu filho. Pode ser ainda que não aconteceu nada disso e você está calmo e relaxado. Nesse dia você passa pelo exame periódico da sua empresa. Descobrem que sua pressão está elevada. Invariavelmente a recomendação é para que você procure um pronto socorro.
A pressão arterial é dinâmica e está constantemente mudando. Quando realizamos atividade física aeróbica ou anaeróbica ela se eleva. É uma resposta adaptativa ao exercício, à atividade sexual, ao medo, à ansiedade e à dor. Por causa de algum sintoma como dor na nuca, ou tontura, ou mesmo por alguma razão aleatória, a pressão arterial é medida e está elevada. Às vezes muito elevada. Esta situação é de risco?
Em geral esta é uma situação de baixo risco, conhecido como crise hipertensiva ou então urgência hipertensiva. A definição da urgência é uma elevação da pressão arterial em que não há emergência. Em que consiste a emergência? As emergências são situações gravíssimas em que a pressão é responsabilizada (pelo menos em parte). Inclui derrame ou encefalopatia, infarto, edema de pulmão e finalmente eclâmpsia para as grávidas. Em geral o valor da pressão não é um bom método para estabelecer o risco. Mas em geral quando a pressão arterial máxima (sistólica) chega ultrapassa 200mmHg e a mínima ultrapassa 120mmHg pode se presumir a emergência. A lista de sintomas que pode estar associada a emergência hipertensiva:
- Confusão mental
- Fraqueza em um lado do corpo, boca desviada, incapacidade de falar ou de ficar em pé
- Dor de cabeça que ficou intensa em menos de um minuto
- Dor torácica
- Falta de ar
- Sangue na urina
Em todos esses casos você deve procurar o pronto socorro.
Agora, a situação muito mais comum é ter uma pressão arterial elevada. Pode vir associado a uma cefaléia nucal leve e nenhuma queixa da lista acima. Trata-se então da crise hipertensiva. Em geral, não há necessidade de procurar o pronto socorro. O que é necessário é marcar uma consulta com um cardiologista. Então você poderá fazer o diagnóstico definitivo de hipertensão arterial e a necessidade de medicação de uso contínuo. Se o estímulo que estiver provocando o aumento da pressão, como uma dor de cabeça, for removido por medicação para dor ou ansiedade, a pressão pode se normalizar sem uso de anti-hipertensivo.
A pressão arterial ótima é 120 por 80mmHg mas é aceitável até 140 por 90mmHg. Em geral, o problema de valores elevados não é agudamente, por algumas horas, ou mesmo dias. O grande problema são esses valores elevados mas durante meses, anos e décadas. Isto pode provocar alterações nos vasos sanguíneos que podem predispor ao infarto e ao derrame.
Outro fator importante é que a maioria das elevações de pressão arterial pode não vir acompanhada de dor de cabeça. Apenas uma em cada cinco pessoas costuma ter esta queixa ao procurar o pronto socorro. Mesmo nesses casos, o aumento da pressão arterial é reativa a dor de cabeça e não o contrário. O hipertenso pode nem saber que é hipertenso, já que em muitos casos ele não sente nada. Por isso é importante medir sua pressão arterial pelo menos uma vez por ano.
Use essas recomendações exclusivamente sob seu próprio julgamento e risco. Em caso de qualquer questionamento ou dúvida procure o seu médico ou o pronto socorro.
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