Escadaria.
Há no cerne desta vivência um torniquete revolto,
Um não sei quê ignóbil que nos consome sem repuxar senha
Mas não é feito vicissitude, esse consumo
É um degrau que nos tropeça, é um degrau que nos ensina a andar
Essa escadaria, que nos estremece e alicerça, não nos abstém,
Não nos tira a compenetração do lado bom da vida,
Não nos abstém, faz da nossa ausência incessantemente fictícia.
O cognos não nos deixa adormecer,
Engolimos mordazmente a pastilha do sentimento bloqueada pela maré do pensamento.
Mas esta escadaria é agora paixão, é agora um alimento,
Uma deglutinação dolorosa, uma odinofagia que não nos mata e nos preenche.
Na escadaria o depósito não é reabastecido, a caneta fica sem tinta e a chama petrificada,
Mas a emoção não se desvanece, a rima não se evapora na neblina figurada,
A mente mantém-se atroz e a escrita calejada
E aqui se reacende a chama por tempos petrificada
Sem soltar vernáculos constata-se a limitação da existência própria,
Encontra-se no conformismo a felicidade irrisória.
Como um meandro na mais temerosa planície aluvial surge este algo,
Esta denominação que acelera uma qualquer ferramenta do motor intelectual
Nasce o que há muito não chovia, esta intempérie que nos move e faz tocar a alegria mais inatingível.
Nasce o fenómeno feito realização pessoal.
E na aglutinação atropelada das sinapses louvamos a escadaria, rejubilamos os degraus escalados.
Damos razão à existencialidade da dúvida complexa,
Fazemos o paralelismo ébrio com a realização de que os degraus nos fazem, de que os degraus nos constroem.
Sinistramente envoltos em hologramas sonhadores damos a escadaria por vencida,
Na eventualidade erguemos os punhos de uma mente cerrada, orgulhosamente desfeita.
Traçamos assim o rastilho que irá gerar obra,
Deixamos em branco a tela que irá virar bomba,
Damos por adormecido o crepitáculo que explodirá em arromba.
(por ventura daremos)
Somos estudantes, venham os degraus.