Pinguim.

Já me perdi, perdi-me no que não sou, perdi-me no que me transformo. Eu, monstro ecléctico, animal de heresia.

Estou a ácidos, dos mais dementes, queimando, num paralelismo metafórico, até à última ponta, a mais infindável ponta.

Inconsciente, louco, do cerne à epiderme, totalmente louco. Apaixonado, num louvor às construções líricas que o ser me alicerça. Rosas Roxas que só a foice negra desabará.

Aqui me encontro, aqui me perdi, mas não, não me abstive, a ausência foi incessantemente fictícia.

Sinistramente envolto em hologramas sonhadores e amo, do falo à sinapse, do falo ao motor da vida, amo. É o enfrentar da ignóbil realidade de um sentimento impróprio. Reduzido, viciado e dependente de um tóxico depressivo. Quase cadavérico, conspurcado pela agulha da tristeza, que nem sem-vida a vaguear na verdade que me atinge. Perdido, apaixonadamente perdido, cego como quem cega de paixão. Armazenado por outro lado, embalsamado como um espécime adquirido, incapaz de realizar que dou exponencialmente mais do que aquilo que recebo.

A espaços, a tempos, a intervalos de parcial lucidez, encontro-me. Imbecilmente, tomo consciência da irracionalidade, transporto a semântica de que a espécie mais perigosa de estupidez é uma inteligência aguçada.

Lado a lado sou engolido, sou personalizadamente devorado pelo escasso acercamento de poder. Não me é possível ser, não me é possível.

O lado negro? Ludibria-me concupiscentemente, desfaz-me em desconfiança de compromisso, destroca-me que nem astro sufocado à deriva.

Enlouquece-me, e por isso me prende.

Ao que pariu esta droga? Que os céus se abalem sobre tal, que muros libidinais sobre a qual se esvaiam, numa sobrevivência morta, exponencial e diariamente morta.


Ah, citações do vazio ébrio e da escrita de penumbra.

E agora? Acobardo-me na escrita? Não, a escrita é na caneta como o cálice de Porto na mão: pouco, só algum, e em dias de festa. A palavra é uma escolha e não um dever, é, acima de tudo, um objecto maior do hedonismo.

O parágrafo é um riso na cara da humanidade, uma privação da escrita e o desvanecer das construções dactiloscritas na metafísica.


É o efémero que dá razão ao eterno, como fumo no ar.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.